Nesta semana terminou a 11ª edição do Big Brother Brasil. Isolados, monitorados 24 horas por dia, os participantes são obrigados a aprender a conviver com personalidades diferentes e a conquistar a simpatia do público para ganhar o prêmio final, de R$ 1,5 milhão.

Ser capaz de criar estratégias de jogo, fazer networking, sobressair-se em grupos e vencer provas são requisitos exigidos dos participantes. Qualidades que também estão ligadas ao mundo corporativo. No mundo real, o profissional também deve aprender a trabalhar em equipe, passará por testes para provar sua capacidade, terá de enfrentar desafios interpessoais e destacar-se para chamar a atenção da chefia.
Segundo Arthur Diniz, presidente da Crescimentum – empresa de coaching e gestão de pessoas –, fazer alianças, ser político, falar mal dos colegas, tentar se dar bem com todas as pessoas e fazer fofoca são as mesmas estratégias (muitas delas desastradas) usadas tanto pelos participantes de um reality show como para profissionais no mercado de trabalho.

Entretanto, para Diniz, a grande diferença entre o Big Brother e o mundo corporativo é não ter a possibilidade de ver o que as pessoas falam e fazem 24 horas por dia. “Principalmente nas grandes empresas, nas quais as coisas demoram para circular, a política da boa vizinhança acaba funcionando.

Além disso, quanto mais um profissional sobe na carreira, mais difícil fica não fazer um pouco de política.”
Alguns personagens do BBB 11 utilizaram estratégias muito parecidas com as de profissionais para sobreviver no mercado de trabalho. Veja alguns exemplos:

Daniel: após formar uma forte aliança com Maria dentro da casa, o participante avalia que perdeu o prêmio depois que falou mal de sua aliada para Diana.

“Se descoberta, a traição pode prejudicar muito. Se você fala mal de alguém, em algum momento as pessoas vão ficar sabendo. Ficar com essa imagem de falso e traidor não é bom”, afirma Diniz. “Daniel se dava bem com todas as panelinhas formadas. No ambiente de trabalho, esse é o jogo certo. Se dar bem com todas, mas não fazer parte de nenhuma.”

Wesley: prestativo e educado. “É o tipo de pessoa que nunca será demitida em uma empresa. Todos gostam dele”, afirma Diniz. Segundo ele, muitos profissionais utilizam essa estratégia para permanecer na empresa. “O problema é que pessoas assim sempre ficam em segundo plano e nunca são promovidas. Não se destacam em nada.”

Maria: vencedora do reality show, a participante foi autêntica durante todo o programa. Causou polêmicas pelo seu comportamento, mas foi uma das poucas que não tentou ser política para se dar bem.

Segundo o especialista, essa é uma estratégia que pode funcionar. Mas há o risco de a pessoa não conseguir crescer na empresa. “Você sempre vai precisar de suporte das pessoas. Para isso, é necessário que você tenha um bom relacionamento e não fique longe de tudo. Ninguém aprova um projeto sozinho. Por isso, de certa forma, depende de um pouco de política.”

Talula: uma das grandes jogadoras desta edição, a participante sempre que possível tentava convencer os outros a votar conforme sua estratégia. Formou alianças para evitar ser votada ao “Paredão”.

“Essa foi a participante que mais se identifica com o mundo corporativo. Foi estrategista e política. O profissional que consegue ser assim, geralmente se dá bem no ambiente de trabalho”, afirma Diniz.
Entretanto, Diniz ressalta que, se a pessoa está o tempo todo preocupada em ser melhor do que os outros, ela vai criando inimigos. O problema é que esse inimigo pode se tornar chefe. E é nesse momento que o profissional começa a ter problemas.

Paula: desde o seu primeiro dia na casa, procurou fortalecer relações e criar intimidade com todos, tomando decisões que nem ajudam nem prejudicam ninguém. Com sua política de boa vizinhança, foi muito criticada pelos participantes, que acusavam de falsidade.

Diniz afirma que essa é uma das estratégias que mais funciona dentro de uma corporação. “Desenvolver boas relações para criar um bom ambiente. Já que você vai conviver com aquelas pessoas na empresa, você deve se dar bem com todas. Esse é o jogo certo.”

Lucival: com fama de fofoqueiro, acompanhado de Daniel, o participante comentava sobre a postura de cada um na casa. “O que mais tem nas empresas é a fofoca. Um falando do outro o tempo todo. Da mesma forma como aconteceu com o Lucival – ter sido eliminado –, uma pessoa fofoqueira acaba sendo isolada pelo grupo no mundo corporativo”, ressalta Diniz.

Rodrigo: discreto e observador. “Ficar longe das fofocas e intrigas no ambiente de trabalho é bom. Mas, o grande segredo é ficar longe e, ao mesmo tempo, ter proximidade com as pessoas, participar das tomadas de decisão, dos encontros informais e ter bons relacionamentos”, destaca Diniz.

Provas

Os participantes passaram pelas provas da Comida, do Líder e do Anjo. Assim como no mercado de trabalho, em que os profissionais disputam uma vaga de emprego e tentam se manter nela, todos têm o mesmo objetivo. Ganha aquele que se sair melhor nas provas. “A única diferença é que no ambiente corporativo a sorte não dura no longo prazo”, acrescenta Diniz.

(Ultimo Segundo)

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