É raro encontrar-se nas comunidades um indivíduo tão boçal, tão cretino, com afirmações tão descabidas quanto o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ). Mesmo no desmoralizado mundo político, ele extrapola todos os limites. Sua cretinice foi exposta em rede nacional no programa CQC na segunda-feira à noite, na TV Bandeirantes. Veja só, entre outras declarações, o que disse o imbecil a respeito das cotas para negros e outras minorias: “Eu não entraria em um avião pilotado por um cotista nem aceitaria ser operado por um médico cotista”. Sobre a possibilidade de ter um filho homossexual, disparou: “Isso nem passa pela minha cabeça, eu dei uma boa educação, fui pai presente, não corro esse risco”. O parlamentar falou ainda que, se flagrasse um filho fumando maconha, o torturaria. Mais adiante, na entrevista, o deputado foi indagado pela cantora Preta Gil sobre o que ele faria se seu filho se apaixonasse por uma negra. “Ô Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco”, respondeu. “Meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como, lamentavelmente, é o teu”. A entrevista causou reações violentas, tanto no Congresso quanto na sociedade civil. Como fazem os malandros, ele também saiu pela tangente: “Foi um mal-entendido, eu errei. Como veio uma sucessão de perguntas, eu não ouvi que era aquela pergunta, foi um equívoco. Entendi que a pergunta era se meu filho tivesse um relacionamento com gay, por isso respondi daquela forma”, disse. “Na verdade, quando eu vi a cara da Preta Gil eu respondi sem prestar atenção”. Bolsonaro, com o seu posicionamento, contribuiu para aumentar ainda mais o desgaste da classe política, que já está beirando o fundo do poço.

Diagnóstico

O deputado carioca aparenta estar com as faculdades mentais perturbadíssimas. Mas louco ele não é. Conscientemente, mostrou-se um radical, indigno da espécie humana. Quem classifica assim os seus semelhantes merece o desprezo total da população, além da condenação criminal que daí advém. Os seus eleitores certamente o abandonarão.

Despreocupado?

Bolsonaro, em meio às cobranças da imprensa, disse que não está nem aí: “O dia em que eu me preocupar com eleitor eu viro vaselina. Não quero me preocupar com um eleitor que quer que eu chame ele de bonitinho. Não quero voto de ignorante.”

Anormal

Os destemperos do parlamentar não vêm de hoje. Em seis mandatos, se envolveu várias vezes com polêmicas relacionadas ao período do regime militar e, certa feita, chegou a defender o fuzilamento do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Por conta das anormalidades de seu comportamento, ele deverá ser processado, mais uma vez, pelo Conselho de Ética da Câmara. Com isso a besta não se incomoda, pois nas outras 20 oportunidades em que respondeu perante o colegiado, saiu absolvido. 

Pena

Se isso acontecer de novo, os deputados que o inocentarem se identificarão com ele.

(Portal Paraná Online – Coluna Et Cetera)

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