A nova tecnologia, desenvolvida pelo Instituto Federal de Educação no Ceará, está em fase de teste

Corridas pagas com acordo entre partes e, às vezes, até feitas de modo impositivas estão com dias contados. Pelo menos os mototaxistas deverão contar com um aferidor, que já se encontra em fase de teste pela Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor).

O taxímetro que deverá ser implantado em todos os mototáxis em circulação em Fortaleza foi desenvolvido pela AED Tecnologia, empresa encubada no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (antiga Escola Técnica Federal do Ceará).

Segundo o presidente da Etufor, Ademar Gondim, o aparelho se encontra em fase final de teste, devendo ser submetido ao Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), a fim de que seja implantado em toda a frota na Capital.

Tarifário

“Nós consideramos que a relação entre os usuários e os prestadores dos serviços deveria primar por uma relação mais justa. Até agora, os valores cobrados por corridas são estabelecidos por acordos entre as partes, que às vezes podem ser até mais caros do que os táxis”, afirmou Ademar Gondim.

Ele lembrou que há tempos vinha sendo questionado o modelo tarifário cobrado pelos mototaxistas, o que fez com que a Empresa examinasse a proposta de aparelho, sugerido pela Empresa AED Tecnologia.

“O aparelho está sendo avaliado, levando em consideração a trepidação, a capacidade de conviver com climas distintos, inclusive a chuva, e que seja satisfatório para o usuário”, disse o presidente. “A tarifa será baseada em fatores reais e que ser mais barata do que os táxis, em vista de oferecer menos conforto”, disse.

Ademar Gondim lembra que, por ocasião da criação da atividade de mototaxista, em 1997, havia a exigência de um taxímetro. No entanto, foi logo deixado de lado, em vista dos problemas acarretados e que faziam com os condutores sempre recorressem aos serviços de manutenção. Para não repetir os erros do passado, a Prefeitura acolheu a proposta de um novo aparelho, com dimensões de 10 cm por 12cm e 5,5cm de altura, pesando menos de 300 gramas.

O aparelho foi desenvolvido pelos consultores técnicos Heyde Leão e Anaxágoras Girão, que levaram em conta a capacidade de ser implantado em diferentes modelos e tipos de motocicletas. Os consultores acreditam que, após aprovado, deverão ser adquiridos por R$ 290,00 e não haverá problemas com a produção, pois detém uma rede de parceiros para atender a demanda na Capital, que reúne 2.209 permissões.

Para os mototaxistas, o novo equipamento inspira cautela e até apreensão. De acordo com José Hélder Carvalho, há 12 anos, na atividade, há uma preocupação em mais gastos para os permissionários, principalmente num período em há uma saturação de veículos nas praça e mais uma concorrência com outros tipos de transportes. “Vamos tirar dinheiro do nosso bolso, que deverá ser uma quantia elevada em tempos de movimentação fraca”, ressaltou.

Já o mototaxista Hélio Barbosa Carvalho, que integra a Associação dos Mototaxistas de Fortaleza, o equipamento será bom para o passageiro, que não mais questionará os valores das corridas, como para os profissionais, que passaram a receber pela hora parada.

Preocupação também tem o mototaxista Francisco Renato Rodrigues, 45, há 15 anos fazendo corridas na Capital. Ele diz temer ficar descapitalizado se precisar adquirir o taxímetro. “Como vou recuperar o meu dinheiro. Já ganho pouco, mal dar para sustentar a família – mulher e três filhos pequenos. A Prefeitura deveria custear”.

CARÊNCIA
CE precisa de 127 defensores públicos

Prestar assistência jurídica integral e gratuita às pessoas que não podem pagar pelos serviços de um advogado particular é tarefa de todo servidor público. Contudo, no Ceará, eles ainda estão em número insuficiente. Dados da Defensoria Pública do Estado do Ceará apontam que 90% do sistema penitenciário são atendidos por defensores públicos. Atualmente o órgão conta com 288, enquanto existem 415 cargos criados pelo Estado. O que mostra que há defasagem de 127 profissionais.

A consequência dessa carência é a superlotação de cadeias públicas e presídios. “O defensor público tem o papel de fiscalizar a execução da pena, de investigar se tem algum detento que está preso ilegalmente, por mais tempo do que ele deveria. Isso acontece, porque a maioria deles não tem condições financeiras de contratar um advogado”, explica Fábio Ivo Gomes, presidente da Associação dos Defensores Públicos do Ceará.

Ele enfatiza que o direito do preso tem que ser preservado. “Não podemos permitir que num estado democrático de direito o detento passe mais tempo na cadeia do que a lei determina. É até uma questão de direitos humanos”, frisa.

Segundo a Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus) a população carcerária do Ceará é de 15.791 presos, dos quais 11.248 estão em regime fechado e 4.543 em regime aberto e semi aberto. Desse total, os defensores públicos são responsáveis por 14.200 presos.

Para minimizar, a questão foi realizado pelo Governo do Estado concurso público para defensoria. Porém, os 46 candidatos aprovados continuam aguardando a nomeação.

Francilene Gomes, Defensora Geral do Estado, informa que está esperando apenas uma sinalização do governador Cid Gomes para efetivar as nomeações. Mas, ela adianta que somente 24 irão exercer. “O restante já disse que não tem interesse em assumir a carreira e pediram final de fila”.

Outra dificuldade que a defensoria enfrenta é o grande número de evasão de profissionais. Segundo a Associação dos Defensores, em pouco mais de dois anos, mais de 30 defensores pediram para sair.

Alô Defensoria

A Defensoria Pública do Estado do Ceará realizou em 2010, cerca de 200 mil atendimentos. Para otimizar o tempo dos servidores e dar maior comodidade aos usuários que usufruem desses serviços, foi inaugurado ontem, o serviço Alô Defensoria, uma Central de Relacionamento com o Cidadão. A central irá atender pelo número 129, com funcionamento de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

Inicialmente a cobertura irá abranger Fortaleza e Região Metropolitana, de forma totalmente gratuita. Ao todo serão dez linhas em funcionamento e seis telefonistas. As ligações podem ser feitas tanto de telefones fixos como de celulares.

Através dela a população poderá obter orientações sobre a documentação necessária para apresentar ao defensor, o local de atendimento mais próximo de sua casa ou do trabalho, assim como já pré-agendar o atendimento. A partir do serviço, a Defensoria promete traçar um diagnóstico especificando os bairros que mais buscam o atendimento da instituição.

(Marcus Peixoto – Diário do Nordeste)

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