Difícil não se emocionar com as histórias em torno de Chico Xavier. Em 2010, ele completaria 100 anos, e a data foi comemorada com dois longas: Chico Xavier, lançado em abril, e Nosso Lar, em setembro. O presente foi o sucesso nas bilheterias. Eles ficaram entre os três filmes nacionais que mais levaram gente ao cinema no ano passado.

Enquanto isso, no Ceará, uma nova produção estava sendo realizada. A Estação Luz Filmes, que, em 2008, lançou Bezerra de Menezes – O Diário de um Espírito, convidou o mesmo diretor, Glauber Filho, para capitanear As Mães de Chico Xavier. Halder Gomes (Cine Holiúdy e Área Q) entrou na codireção.

Com elenco estelar, o longa cumpre a função a que se pretende: emocionar o espectador. As Mães de Chico Xavier conta a história de Ruth (Via Negromonte), Elisa (Vanessa Gerbelli) e Lara (Tainá Müller), mães de idades e vidas distintas, mas que se encontram em Uberaba, em torno do médium, em busca de alívio para a dor da perda.

Elisa tem um filho pequeno, Theo, a quem dedica todo o seu tempo. O marido, Guilherme (Joelson Medeiros), é tão ocupado com o trabalho que não sobra muito espaço para a família. Lara é professora e tem um namorado que parece não gostar muito dela, mas de quem está grávida. Com o fim do relacionamento, ela não quer ser mãe. Ruth tem um filho envolvido com drogas. O marido, Mário (Herson Capri), é jornalista e tem uma visão objetiva do mundo.

É justamente no jornalismo que As Mães de Chico Xavier encontra seu motor. Karl (Caio Blat) trabalha com Mário e é enviado a Minas Gerais para investigar o fenômeno da psicografia. “Tem cara de tapeação”, ele diz. Mas basta chegar à Casa da Oração, onde Chico (Nelson Xavier outra vez) recebe famílias inteiras em busca de contato com alguém que já se foi, para começar a mudar de opinião.

No filme, a emoção das mães que recebem uma carta do filho pelas mãos de Chico Xavier pega o espectador. Histórias reais, registradas no livro Por Trás do Véu de Isis, do jornalista Marcelo Souto Maior, estão na tela e causam repetidos nós na garganta: pedidos de perdão, mensagens detalhadas, a chegada ao “outro plano”.

Mesmo com uma influência forte do espiritismo, o longa procura não doutrinar. A não ser no final, quando um aviso antiaborto é colocado, de forma até um pouco rude. Outro ponto baixo do filme é a trilha sonora. Flávio Venturini foi convidado para escrever os temas originais, mas, em alguns momentos, em vez de colaborar com o sentimento que a cena desperta, aborrece o espectador.

Nada que comprometa, no entanto, o resultado final. Quem assiste aos filmes com Chico Xavier o faz porque gosta da temática, das histórias, da paz. E tudo isso, indiscutivelmente, está lá. A produção é boa, com padrão Globo Filmes (não à toa, a produtora dá apoio promocional). Com 400 cópias espalhadas por todo o Brasil (o número é semelhante às cópias de longas blockbuster como os das séries americanas Homem-Aranha e Harry Potter), As Mães de Chico Xavier pode até deixar a crítica de cabelos em pé, mas tem tudo para ser um grande sucesso de público.
SERVIÇO

AS MÃES DE CHICO XAVIER (BRA, 2011).

Direção: Glauber Filho e Halder Gomes.

Elenco: Vanessa Gerbelli, Tainá Müller, Via Negromonte, Nelson Xavier e Caio Blat. 12 anos.

Onde: Estreia amanhã, no Centerplex Via Sul 5, às 14h20, 16h45, 19h10 e 21h30; Centerplex Maracanaú 2, às 16h20, 18h40 e 21h; Espaço Unibanco Dragão do Mar 1, às 14h, 16h30, 19h e 21h30; Cine Benfica 1, às 13h15, 15h30, 17h45 e 20h; Multiplex Iguatemi 3, às 14h50, 17h10, 19h30 e 22h.

 SAIBA MAIS

 As Mães de Chico

Xavier foi rodado quase totalmente no Ceará. Fortaleza, Pacatuba e Guaramiranga estão na tela, e é divertido para quem é daqui tentar identificar os lugares. Para além disso, o espectador cearense descobre que o Ceará pode não ter cara de Ceará e que o Estado tem ótimas locações para contar histórias universais e eternas.

 (Alinne Rodrigues – O Povo Online)