Menino pobre, nascido em 17 de outubro de 1931, em Muriaé (MG), José Alencar Gomes da Silva pediu um empréstimo para o irmão para abrir, em 1950, uma loja de tecidos no interior do Estado.

Os juros altos quase o fizeram desistir de tentar um futuro melhor. Persistiu e se tornou um empresário bem sucedido, dono da Coteminas, uma das maiores indústrias têxteis do país.

Foi senador pelo Estado de Minas Gerais, e elegeu-se vice-presidente da República do Brasil na chapa do candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, conseguindo a reeleição em 2006.

A partir de 2004, passou a acumular a vice-presidência com o cargo de ministro da Defesa. Ele exerceu a função de ministro até março de 2006.

POSTURA

Na política, Alencar mostrou uma postura bastante diferente de seu antecessor na vice-presidência, Marco Maciel (DEM). Enquanto o vice de Fernando Henrique Cardoso tinha um perfil discreto, Alencar notabilizou-se dentro do governo Lula por ser um dos mais severos críticos da política econômica.

Seu principal alvo: os juros estabelecidos pelo Banco Central, que, segundo ele, dificultariam novos investimentos, aumentariam o desemprego e travariam o crescimento da economia brasileira.

As críticas renderam a Alencar reclamações da equipe econômica e “puxões de orelha” do presidente Lula.

Alencar foi filiado ao PL e, depois, ingressou no PRB.

“CAUSOS”

De origem simples como o presidente Lula, Alencar gostava de contar “causos”. Todas as vezes em que tinha a oportunidade de falar em público, revelava sua trajetória com a naturalidade de quem estava em uma roda de amigos.

Quando eclodiu o escândalo do “mensalão”, ele se manteve fiel a Lula. Foi um dois poucos a sair em defesa do presidente, alvejado por críticas quando disse que não sabia dos fatos que envolviam seus principais auxiliares. Para Alencar, Lula foi “vítima do despreparo do PT”.

O próprio Alencar acabou envolvido no escândalo. A empresa dele teria recebido R$ 1 milhão do PT. O valor seria referente ao pagamento de camisetas confeccionadas pela Coteminas, mas não foi registrado no caixa do partido, o que sugeriu uso de caixa dois.

Alencar ainda era um admirador da cachaça. Nesse ponto, travava uma guerra particular com o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), que insistia em dizer que a cachaça Mingote, produzida por sua família, era a melhor. Alencar produzia as cachaças Maria da Cruz, Porto Estrela e Sagarana, segundo ele, sem igual no mercado.

FAMÍLIA

Casado com Mariza Campos Gomes da Silva, ele deixa três filhos: Josué Christiano, Maria da Graça e Patrícia.

Em outubro de 2007, Alencar já havia sido submetido a uma cirurgia para retirada de nódulos no abdômen. Em janeiro deste ano, enfrentou cerca de 17 horas de operação para a retirada de nove tumores. Ele lutava contra a doença havia 12 anos.

Os últimos exames apresentaram a volta de 18 tumores no abdômen. Uma nova cirurgia foi descartada e os médicos optaram por um remédio em fase de teste no Centro Oncológico MD Anderson, suspenso recentemente.

(Folha Online)

Anúncios