Reza a lenda que Elizabeth Taylor tinha duas filas de pestanas superiores. Seria essa invejada mutação a responsável pelo olhar hipnotizante da diva. Logo a seguir à beleza, a segunda coisa em que se pensa quando se ouve o nome da actriz é casamento. Não foram dois, nem três, nem um já respeitável cinco. Foram oito. Oito matrimónios, dois dos quais com o mesmo homem, o seu Marco António pessoal, Richard Burton. Ainda assim, apesar do folclore pop, Elizabeth Taylor será sempre uma das maiores estrelas da história do cinema, novelas à parte. Com percurso assinado sobretudo entre as décadas de 50 e 60 do século passado, mas com longevidade assegurada pela imortalidade dos seus desempenhos. A actriz morreu ontem de insuficiência cardíaca, no Hospital Cedars-Sinai, em Los Angeles, onde estava internada há dois meses.

No princípio era a beleza Elizabeth Rosemond Taylor nasceu em 1932 em Hampstead, Londres. Filha de pais americanos, naturais do Arkansas, regressou aos EUA em 1939, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial. Através de uma amiga da família, deslumbrada com a beleza da ainda muito jovem Elizabeth, estreou-se aos nove anos, pela Universal Pictures, nas coisas do cinema, em “There”s One Born Every Minute“. Um ano depois entrava em “Lassie Come Home”, onde conheceu o actor Roddy McDowall, de quem permaneceria amiga o resto da vida.

Depois de “A Place in the Sun“, de 1951, onde contracenava com Montgomery Clift, estavam dados os primeiros passos que a tornariam na actriz mais famosa do mundo e a mais bem paga de Hollywood. Seguiram-se anos de glória, com “O Gigante” (1956), “A Árvore da Vida” (1957), “Gata em Telhado de Zinco Quente” (1958), “Bruscamente no Verão Passado” (1959), “BUtterfield 8” (1960), “Cleópatra” (1963) e “Quem tem Medo de Virginia Woolf?” (1966).

Como qualquer estrela atormentada que se preze, a actriz sofreu de alcoolismo, dependência de medicamentos, problemas de alimentação e luta desenfreada contra várias enfermidades, com mais de 100 cirurgias (e nem todas plásticas) realizadas durante a sua vida. O historial médico de Taylor, segundo o jornal britânico “Daily Mail”, é assustador: desde um tumor no cérebro, a cancro de pele, vários ossos partidos, pneumonias, quistos nos ovários, problemas no coração, entre muitos outros. Nos últimos tempos a actriz estava confinada a uma cadeira de rodas devido à osteoporose da qual sofria. “Entro em hospitais tantas vezes quanto as outras pessoas entram em táxis”, disse ao jornal.

Em entrevista à revista “Life”, em 1992, Elizabeth Taylor, que em 1961 e 1967 recebeu o Óscar de Melhor Actriz, resumiu a própria vida em breves linhas: “Tive sorte durante toda a minha vida. Tudo me foi dado de mão beijada: beleza, fama, fortuna, honras, amor. Mas paguei essa sorte com desastres. Doenças terríveis, vícios destrutivos e casamentos falhados.”

E não só. Segundo Kitty Kelley, autora da biografia não autorizada de Frank Sinatra, “His Way: The Unauthorized Biography of Frank Sinatra”, Elizabeth, além de ser uma fã tresloucada do cantor, até com gritos histéricos nos concertos, terá engravidado dele. A gravidez não terá ido para a frente por vontade de Sinatra.

o amor em roma Para muitos, Taylor será sempre a rainha do Egipto e, ao mesmo tempo, a primeira a receber um milhão de dólares para protagonizar um filme: “Cleópatra”, cuja rodagem durou quatro anos e custou 35 milhões de euros. Foi um dos grandes fracassos de Hollywood, com explosões de humor da diva, escândalos, um guião entre constantes alterações e uma história de amor verdadeira.

Foi aqui que Elizabeth Taylor e Richard Burton se conheceram. Ela era Cleópatra, ele Marco António, ambos casados com outras pessoas na vida fora das filmagens, fora da Europa. Pouco importou. Como escreveu Burton, numa das muitas cartas de amor para Elizabeth: “Venero-te. Sem ti não há vida.” As cartas, aliás, foram sempre uma constante na vida de ambos. Segundo o livro “Furious Love: Elizabeth Taylor, Richard Burton, and the Marriage of the Century”, de Sam Kashner e Nancy Schoenberger, quando Richard Burton morreu prematuramente aos 58 anos, fechado no escritório da sua casa na Suíça, tinha acabado de escrever uma carta para Elizabeth, apesar de estarem separados pela segunda e derradeira vez. Elizabeth Taylor nunca tornou público o conteúdo da carta. Ao contrário de toda a relação de ambos, as últimas palavras de Burton mantiveram-se, até hoje, privadas.

Ao todo, foram 15 anos de vida em comum. Duas vezes casados, duas vezes separados. Juntos protagonizaram 12 filmes e viveram uma vida boémia, ostensiva, com discussões, traições e muita paixão. Quando Burton morreu, em 1984, Taylor confessou: “Desde aqueles primeiros momentos em Roma permanecemos sempre louca e poderosamente apaixonados um pelo outro. Tivemos mais tempo, mas não o suficiente.”

(Portal IOnline)