Como antecipamos neste espaço no começo do ano, vem aí um dos livros mais transgressores da temporada: The Final Testament of the Holy Bible, ou O Testamento Final da Bíblia Sagrada.

O autor é James Frey, também conhecido como o homem que Oprah destroçou em seu programa de TV.

A história de Frey e Oprah é famosa. Em 2005, aos 35 anos, ele lançou suas memórias: Um Milhão de Pedacinhos (Objetiva, 432 páginas, R$ 59,90), e o livro rapidamente virou best-seller.

Oprah, encantada com a história de vida de Frey (pronuncia-se Frai), que falava de um rapaz de 23 anos que foi ao fundo do poço e voltou, incluiu Pedacinhos em seu clube do livro, o que significa dizer que a obra foi ao céu.

A apresentadora então convidou o autor para um papo no estúdio. Frey deixou Oprah comovida com todo o drama que experimentou, falou do vício em drogas e de como se recuperou, e os dois pareciam ter virado melhores amigos.

Três meses depois da entrevista, Pedacinhos tinha vendido mais de dois milhões de exemplares.

Era apenas mais uma história feliz de um jovem escritor de sucesso.

Até que as denúncias chegaram: Frey teria inventado boa parte de suas memórias, e exagerado outra parte delas.

Oprah, sentindo-se enganada, ficou furiosa e resolveu esclarecer tudo: convidou Frey e sua editora (ninguém menos que Nan Talese, mulher de Gay) de volta ao programa e desmascarou-os em rede nacional de TV.

Frey saiu de lá em farrapos para enfrentar centenas de processos movidos por leitores que se sentiram passados para trás com a falsa “história real”.

Pois é esse mesmo Frey que agora faz chegar às livrarias seu jesus novaiorquino, bissexual e devoto da cannabis.

O Messias idealizado pelo autor é conhecido como Ben Jones, mora em Nova York nos dias de hoje, engravidou uma prostituta, adora beber e fumar maconha e, ocasionalmente, faz sexo com homens.

“Não importa quem você ama, ou como você ama”, disse Frey ao The Hollywood Reporter. “Não acho que o Messias teria condenado homens e mulheres gays”.

Para dar giro novo às subversões, ele lançará o livro através de uma galeria de arte, que faz o papel de editora da obra.

“Tentei escrever um livro radical. Vou lançá-lo radicalmente”, disse ele recentemente acrescentando que não mais cederá a formas de publicação que não o agradem.

Quando o New York Post perguntou o que ele achava que Oprah pensaria da obra, Frey riu e disse: “Não tenho ideia. Não sei nem se ela vai ler”.

Inicialmente, uma tiragem pequena para padrões norte-americanos: 11 mil cópias.

E, via seu website pessoal (que já está repleto de mensagens indignadas), versões eletrônicas da obra.

É, portanto, uma aventura independente do homem que tenta se reinventar.

O livro de Frey será lançado em Nova York no dia 22 de abril. Não por acaso, uma sexta-feira santa.

(Ultimo Segundo)

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