A Tradição, oitava escola a desfilar na terça-feira de carnaval contará a história dos 100 anos de fé, poder e tradição de Juazeiro do Norte. O carnavalesco, que é nordestino, Augusto Oliveira, retorna aos carnavais do Rio de Janeiro, após desenvolver por 19 anos, carnavais em São Paulo com o intuito de levar a Tradição novamente aos tempos de glória.

– Faz oito anos que eu e a agremiação “namoramos”. Nesse ano não teve jeito, voltei ao Rio de Janeiro para desenvolver o enredo que apresenta o centenário da cidade de Juazeiro do Norte, cuja história se confunde com a própria história do Padre Cícero, cidade considerada a Capital da Fé do povo nordestino. – explica o carnavalesco Augusto Oliveira.

1º Setor: História, Luta e Tradição

“No Sul do Ceará há uma micro região da qual muito se ouve falar, mas que poucos conhecem. O Cariri, cujo solo já abrigou dinossauros, peixes e espécies de animais do sertão seco e da mata tropical. Cortado pela chapada do Araripe oferece um visual inesperado em meio a uma região teoricamente infértil”.

No primeiro setor, a Tradição abrirá o desfile com a comissão de frente, onde os repentistas, considerados os cronistas do sertão, contarão a história do enredo através de fantasias simples, conforme é de costume na região. A primeira romaria do calendário virá representada no primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira e na ala das baianas intitulados “Nossa Senhora das Dores”. O carro abre-alas contendo o condor, símbolo da escola, devidamente caracterizado de cangaceiro e Padre Cícero, fundador e prefeito da cidade, completam esse primeiro momento, que terá ainda, alas mostrando os estudos que foram realizados comprovando que trata-se de uma região marítima, pois é considerada um oásis dentro do agreste, por ser muito fértil; batalhas que existiram na região; povos indígenas que deram o nome da cidade e a árvore Juá, símbolo de Juazeiro do Norte, mundialmente conhecida por sua obra-prima, servindo de produção para pastas de dente, como material clareador.

2º Setor: Folclore, Cultura e Povo

“Terra boa de cultura, do trabalho artesão, do reisado, boi-bumbá, da lapinha à devoção, do repente cantador que escreve com amor, a história desse chão”.

No segundo setor do enredo, a escola mostrará o “Caldeirão Cultural” – título popular. A cidade é considerada como o local de maior número de manifestações culturais do país, pois todos os dias são comemorados com dança, culinária, artesanato, literatura de cordel e outros. A bateria virá nesse setor vestida de “Romeiros” e o folclore será apresentado através de alas como Bumba meu boi e Cavalhadas. O segundo carro alegórico será decorado como uma colcha de retalhos e há um verdadeiro caldeirão com a mistura de elementos como: festas juninas, pregadores, penitentes da Semana Santa entre outros.

3º Setor: Cícero, o santo do Ceará

“Quem foi esse homem misterioso que, mesmo tendo um Decreto de excomunhão assinado contra si, arrebatou o coração das massas e passou a memória coletiva e ao panteão popular como o santo Padim Ciço? Era um apóstolo visionário que soube entender a língua do povo, converteu multidões com sua singela pastoral sertaneja, mas ainda assim, é injustiçado por um clero intransigente e etnocêntrico? Ou foi um sujeito astuto que usou a batina em seu próprio benefício, amelhou fortunas em terras, imóveis e gado, alimentando a sede de poder com a ignorância de seus devotos?”

No terceiro e último setor, a escola abordará a parte contemporânea da cidade, onde acontece a consolidação da fé do povo no padre. Momentos não só de religiosidade, mas de cunho social, onde a fé e o trabalho se unem através da procissão das profissões serão abordadas. Os doutores do Cariri, representando as Universidades que hoje estão instaladas na cidade, também serão lembrados. A terceira alegoria “Colina Sagrada” terá uma pedra com a estátua do Padre Cícero e 70 romeiros atores que farão a encenação de Cristo. Será um carro teatralizado.

Todos os componentes da agremiação, de todos os setores, virão com um chapéu de palha nas mãos em referencia aos costumes da região.

Organograma

Comissão de frente – Violeiros repentistas

1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira – A fé

Ala das Baianas – Romaria à Nossa Senhora das Dores

Abre-Alas –  História, Luta e Tradição

2º Carro – Folclores, Cultura e Povo

Bateria – Romeiros

2º casal de mestre-sala e porta-bandeira – A alegria de vencer a luta

3º Carro – Colina do Horto – Cícero, o santo do Ceará

(Portal Carnavalesco)