Uma semana depois da queda do presidente egípcio Hosni Mubarak, a onda de protestos contra regimes autoritários do mundo árabe ganhou força na Líbia, o país do norte da África comandado pelo ditador Muamar Kadafi.

Imagens divulgadas na internet mostram o que seriam protestos em pelo menos cinco cidades da Líbia.

Em Tobruk, manifestantes derrubaram um monumento que simboliza o conjunto de regras redigidas por Muamar Kadafi, que comanda a Líbia há mais de 40 anos.

Como há inúmeras restrições ao trabalho da imprensa no país, a autenticidade das imagens não pode ser confirmada.

Al-Bayda, a terceira maior cidade Líbia, estaria sob o controle de ativistas antigoverno, o que também não foi confirmado.

O grupo de direitos humanos Human Rights Watch declarou que 24 pessoas morreram nos protestos até quinta. E nesta sexta mais 20 manifestantes também teriam sido mortos.

Já nas imagens da TV estatal Líbia, Kadafi aparece entre simpatizantes na capital Trípoli. No Bahrein, novos choques começaram depois do enterro de três manifestantes.

Milhares de pessoas entoavam cantos contra a família Al-Khalifa, que governa o país. Policiais dispararam bombas de gás e deram tiros para tentar impedir que a multidão chegasse ao centro da capital Manama. Há relatos de quatro mortes e de 60 feridos.

Manifestantes pró-governo também foram para as ruas defender a monarquia. O Bahrein é um aliado importante dos Estados Unidos por causa da sua localização estratégica, entre a Arábia Saudita, o Kuwait, o Iraque e o Irã. O Bahrein abriga a base da quinta frota da Marinha americana.

No Iêmen, pelo menos duas pessoas morreram e dezenas ficaram feridas depois de choques entre manifestantes anti e pró-governo. Foi o oitavo dia seguido de protestos contra o presidente Ali Saleh, há 32 anos no poder.

Na Jordânia, também houve confrontos entre governistas e oposicionistas. Oito pessoas ficaram feridas. No início do mês, o rei Abdúla Segundo nomeou um novo primeiro-ministro, mas a oposição quer que ele seja escolhido por eleições diretas e pede mais reformas.

Em pelo menos um lugar, a sexta-feira não foi de protestos contra governantes. No Egito, centenas de milhares de pessoas voltaram a se reunir na Praça Tahrir, no centro do Cairo, para festejar uma semana sem Hosni Mubarak. Um conselho militar agora comanda o país.

Enquanto aguarda o rascunho das emendas constitucionais, que deve ficar pronto em pouco mais de uma semana, o Exército egípcio mostra que está se adaptando aos novos tempos. Abriu uma página no site de relacionamentos Facebook para melhor se comunicar com os jovens, que usaram essa mesma ferramenta da internet para organizar os protestos que levaram à renúncia de Mubarak. A página é dedicada às crianças e aos jovens do Egito, que fizeram explodir a revolução, iniciada no dia 25 de janeiro.

(Portal Gazeta Web)