O delegado e ex-chefe de Polícia Civil do Rio de Janeiro Allan Turnowski foi indiciado, no início da noite desta quinta-feira, após depor, por violação de sigilo funcional pela Polícia Federal (PF). Ele é acusado de passar informações sobre investigação da PF para o inspetor Christiano Gaspar Fernandes, que estava sob monitoramento telefônico e que foi preso durante a Operação Guilhotina na semana passada.

Assessores e policiais próximos a Turnowski, entre eles o ex-subchefe de Polícia Civil Carlos Oliveira, também foram para a cadeia acusados de vender armas e drogas para traficantes, comandar milícias em comunidades carentes e proteger quadrilhas que exploram máquinas caça-níqueis. O delegado já tinha prestado depoimento na superintendência da PF no dia da operação. Diante das suspeitas de seu envolvimento com as quadrilhas formadas pelos policiais, Turnowski acabou sendo exonerado do cargo na última terça-feira.

 Milícia na polícia

Durante a gestão Turnowski, a milícia formada por policiais com influência na cúpula da instituição foi o primeiro grupo paramilitar a usar a estrutura do Estado, em operações policiais oficiais, para tentar eliminar traficantes de favelas e estabelecer a atuação dos grupos paramilitares.

A constatação é do delegado Alexandre Capote, da Delegacia de Repressão às Atividades Criminosas (Draco). “Antes, o miliciano usava isoladamente a arma e o distintivo do Estado para se estabelecer em uma comunidade. Ainda não tínhamos registro de uma milícia capaz de usar o aparato do Estado para tomar uma favela”, disse o delegado.

Segundo ele, a promiscuidade entre milicianos e traficantes já não era novidade. Em dezembro de 2010, em uma operação comandada por ele, a Draco desarticulou uma milícia que atuava em Duque de Caxias, ligada ao vereador Jonas Gonçalves da Silva, o “Jonas é Nós”, que também foi preso. Na ocasião, a investigação constatou que a quadrilha vendia rotineiramente armas para traficantes do Complexo do Alemão.

O uso por milicianos e até traficantes do aparato bélico do Estado para tomar favelas também não era inédito. Desde 2007, a ONG Justiça Global denuncia que policiais alugam blindados para diferentes facções de traficantes nas invasões para tomar bocas de fumo de quadrilhas rivais. Este foi o caso da invasão à Vila dos Pinheiros por traficantes da Baixa do Sapateiro, no Complexo da Maré, em maio de 2009. De acordo com a denúncia entregue à Secretaria de Segurança Pública, os criminosos alugaram o blindado por até R$ 120 mil.

Em depoimento à Corregedoria Interna da Polícia Civil, na última segunda-feira, o delegado titular da Draco, Claudio Ferraz, revelou diálogo captado em uma interceptação telefônica autorizada pela Justiça em que o sargento da PM Julio Cesar Fialho, que seria ligado à milícia Águia do Mirra, combina com outro miliciano uma operação da Polícia Civil na Favela da Coreia, com dois blindados e um helicóptero. Os diálogos foram revelados pelo jornal Extra. Procurada nesta quinta, a Secretaria de Segurança informou apenas que “todos os documentos recebidos com carimbo de confidencial são encaminhados à Subsecretaria de Inteligência e devem ser divulgados”.

(Época Online)

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