FORTALEZA e TERESINA. A dona de casa Francisca Maria Almeida da Silva, de 44 anos, sentiu todas as dores do mundo ao testemunhar a morte de seus três filhos, o estudante Felipe Eduardo da Silva Pereira, de 19 anos, o ajudante de pedreiro Marcelo da Silva Pereira, de 26 anos, e de Givago Lobão da Silva Pereira, o Pachola, de 22 anos, em um intervalo de três anos. Na tarde de quinta-feira passada, Francisca Maria participou da missa de um mês da morte de seu filho, Givago, assassinado com oito tiros em Teresina.

– Nós estávamos tomando sorvete. Baixei a cabeça para pegar uma sacola de compras eu vi os pés de um homem, não o rosto. Eu disse: ‘Givago, meu filho, tem um homem com uma arma’. Ele soltou os chinelos e saiu correndo. Eu gritei, pedi ajuda para meu filho, mas ninguém teve coragem. Com o primeiro tiro, meu filho caiu emborcado.

Givago morreu um ano e quatro meses após o assassinato a tiros de Marcelo da Silva Pereira. Segundo Maria, a família morava no bairro Redonda, na periferia de Teresina, e Givago passou a consumir drogas aos 13 anos. Seu pai, Francisco das Chagas Pereira, foi reclamar com o traficante para que não vendesse entorpecentes para o filho. O criminoso reagiu disparando cinco tiros em Francisco atingindo o ombro e a cabeça. Givago foi vingar a tentativa de homicídio contra o pai e matou o traficante. A partir daí começou uma perseguição sem tréguas a sua família.

Assim como Francisca Maria, a dor pela perda de um filho assassinado transformou a vida de Fátima Lima, moradora em Fortaleza, no Ceará. Há oito anos seu filho Cícero Augusto Pereira morreu vítima de arma de fogo. O assassino chegou a ser preso em flagrante, mas foi solto 12 dias depois.

– Não digo que estou enfraquecida porque tenho Deus. Mas estou nadando na impunidade, disse ela.

Até hoje não sabe exatamente porque Cícero, de 23 anos, foi assassinado. O acusado, Igor Geraldo Amaral Benevides, nunca mais foi preso. No Ceará, em 2010, foram assassinadas 970 pessoas com idade entre 12 e 24, a faixa etária que, há vários anos, mais concentra vítimas da violência. Foram 818 em 2009 e 722 em 2008, segundo dados oficiais.

De acordo com o secretário de Segurança Pública, Francisco Bezerra, cerca de 70% dos homicídios em Fortaleza e região metropolitana, de acordo com o secretário, estão relacionados ao tráfico de drogas: cobrança de dívida ou briga de território. Desses, a grande maioria tem características de execução e são cometidos por criminosos usando motos.

No cargo há um mês, Bezerra aposta num novo modelo operacional para reduzir a criminalidade. Ele aumentou em 50% o efetivo do Raio, grupamento que atua especificamente na abordagem de motocicletas, reativou o serviço de inteligência da Polícia Militar e redimensionou a ação policial em 21 bairros de Fortaleza que concentram cerca de 60% de todos os homicídios da capital.

(Folha Online)