RIO – Representantes da Mafra Seguradora já fazem um balanço das perdas das escolas com o incêndio que atingiu quatro barracões na Cidade do Samba na manhã desta segunda-feira. Não se sabe avaliar ainda o volume das perdas, mas integrantes da Grande Rio calculam um prejuízo de até R$ 10 milhões. Na Portela, de acordo com Nilo Figueiredo, presidente da escola, 2.800 fantasias foram perdidas. Sobre a União da Ilha, o diretor de carnaval da escola, Márcio André, disse que pelo menos 2.300 fantasias foram queimadas, além de um carro alegórico inteiro e parte de outra alegoria.

Os prejuízos maiores foram no barracão da Acadêmicos do Grande Rio. Segundo integrantes da agremiação, 90% do carnaval estavam sendo feitos na Cidade do Samba e tudo foi perdido. Sete alegorias pegaram fogo, e quatro tripés (pequenas alegorias) também queimaram. A escola perdeu quase quatro mil fantasias. Helinho de Oliveira, presidente da escola, contou que apenas as fantasias das cinco alas comerciais da escola – cerca de 500 figurinos -, que não foram feitos na Cidade do Samba, sobraram.

Ele disse, no entanto, que a escola vai desfilar. Não com o carnaval planejado, mas com todos os seus integrantes na avenida.

– Não acabou o sonho de ser campeão nos próximos anos. O samba não foi queimado. A vontade do folião de desfilar também não. Vamos para a avenida mesmo que de camiseta e bermudas com lantejoulas. Vamos mostrar a força de Caxias – disse Helinho.

Ele informou que o barracão da Grande Rio contava com 12 brigadistas de incêndio, seis por turno. Mas não foi possível conter as chamas.

(Veja mais fotos do incêndio)

O carnavalesco da Grande Rio, Cahê Rodrigues, informou que 98% do carnaval estavam prontos. As fantasias já estavam ensacadas para serem entregues aos componentes.

– Estou em estado de choque. Perdemos as fantasias das baianas e da comissão de frente. Ainda não caiu a ficha. Só estou feliz em saber que não teve vítimas. Minha mãe me acordou às 7h, e o meu Bom Dia foi ver pela TV que o meu carnaval está destruído. A tristeza é muito maior porque ouvia de todo mundo que a escola era forte candidata ao título – lamentou o carnavalesco. E acrescentou:

– Não sei se em 29 dias, somos capazes de produzir um espetáculo à altura do que já estava pronto. Tínhamos muitos materiais importados no barracão, e muita tecnologia veio de fora. Agora está tudo queimado, destruído. Vamos fazer de tudo para reconstruir o carnaval. O problema maior é o psicológico dos funcionários – disse o carnavalesco.

A porta-bandeira da Grande Rio, Squel, que chegou em prantos à Cidade do Samba, ressaltou que havia muita espuma no carnaval da Grande Rio. Ela diz que um carro inteiro era feito do material, altamente inflamável.

– Praticamente o carnaval inteiro da escola estava sendo feito na Cidade do Samba. As fantasias da comissão de frente e das baianas já estavam prontas e tudo se perdeu. A gente achava que a Cidade do Samba era mais segura. Como o fogo conseguiu atravessar estas paredes? – questionou, tremendo e chorando.

Ilha e Portela também calculam prejuízos

Em entrevista, por telefone, ao telejornal “Bom Dia Brasil”, da TV Globo, o presidente da escola de samba União da Ilha, Ney Filardes, garantiu que a escola não vai perder sua alegria:

– Havia funcionários. Temos também uma brigada de incêndio. Agora, seja o que Papai do Céu quiser. Não vamos perder nunca a nossa alegria – disse Ney, chorando.

O carnavalesco da Ilha, Alex de Souza, disse que a escola perdeu muitas fantasias, que eram feitas no quarto andar do barracão, e o carro da aranha gigante:

– Não temos mais as roupas das baianas e nem da bateria. O carro da aranha gigante, que era o mais comentado do nosso carnaval, também foi atingido pelo fogo. Acho que não deveria ter ensaio da Ilha na Sapucaí no próximo sábado. Acho que os três mil componentes tinham que vir para a Cidade do Samba e ajudar a reconstruir o carnaval da escola.

Sobre a sugestão do prefeito Eduardo Paes, de não rebaixar nenhuma escola no carnaval deste ano, Alex comentou:

– Isso é o mínimo que pode ser feito. O caso da Grande, por exemplo, fica difícil de ter solução. A escola não tem a menor condição de desfilar. O resultado do carnaval, agora, é o de menos. O primeiro lugar ganhou quem estava dormindo nos barracões e conseguiu sair com vida.

O carnavalesco da Portela, Roberto Fznaieck, disse que após a perda das fantasias, a direção começa agora a repensar o carnaval para que a escola desfile no Sambódromo.

– No momento, estamos repensando o que vamos fazer para termos uma estrutura nova no desfile. A escola tem capacidade de recuperação e isso vai mostrar a nossa força – disse ele.

A Portela está montando um forte esquema para refazer as fantasias. Funcionários da azul e branco e alunos do projeto social foram convocados pela primeira-dama da escola, Val Carvalho, para ajudar na confecção das fantasias, que agora passarão a ser feitas na quadra da agremiação, em Madureira.

– Temos mais de mil alunos formados, e toda ajuda é bem-vinda. Ainda não temos o levantamento de tudo que foi perdido, mas no quarto andar, o mais atingido, estavam prontas fantasias de quesitos importantes, como as roupas da bateria. A ala das baianas também foi perdida. Mas vamos fazer o nosso melhor e colocaremos o carnaval na rua – disse Val, chefe do ateliê da Portela.

A escola já começou a fazer o levantamento do material danificado e algumas alegorias, que não foram atingidas no incêndio, estão sendo retiradas do barracão e levadas para a praça central da Cidade do Samba.

O diretor de Harmonia da Portela, Alex Fab, disse que o incêndio só não foi pior porque não houve mortes. Fab acrescentou que todos que estavam dormindo no barracão conseguiram sair a tempo.

– Nosso carnaval está 100% destruído. O cenário é desastroso – disse.

(Folha Online)