A piada já é das mais populares nas redes sociais. Como se fosse um daqueles discursos de adictos de drogas em uma reunião de seus pares anônimos, dezenas de internautas postam nas suas páginas virtuais: “Eu, Fulano de Tal, estou há três dias sem fazer nenhuma compra em sites coletivos. Obrigado Senhor por mais esse dia e dai-me coragem para suportar outro dia da privação desse vício”.

De fato, comprar nesses sites virou mais que uma febre. Com tantas e tão tentadoras ofertas (alguns descontos ultrapassam os 90%), poucos são os que resistem a adquirir bens e serviços com apenas alguns cliques – o que é genial, não se duvida. O problema é que embalados nessa empolgação, muitos não se atentam para os riscos embutidos nesse tipo de negociação. E acabam se arrependendo da compra.

“Antes de qualquer compra, é importante ter a consciência de que as ofertas são quase impossíveis de ser recusadas. Estar atento ao que se pode gastar, organizar valores e prestações, impedem que o consumidor faça dívidas desnecessárias”, alerta a advogada Eliana Saad, sócia-diretora do escritório Saad & Castello Branco. “Observar alguns critérios para não ter problemas tanto na hora da compra como no momento de utilização do produto ou serviço é fundamental”, completa.

A pedido do O POVO, Eliana apontou sete destes critérios a serem observados ao fazer uma compra do gênero para evitar situações desagradáveis (veja quadro na página ao lado). São medidas simples, mas eficazes e de muita valia para consumidores como o casal de namorados Ana Márcia Matos, estudante de Psicologia, e Robério Feijó Ribeiro Filho, estudante de Engenharia Civil.

Desde que descobriram as facilidades dos sites de compras coletivas em uma viagem a São Paulo, há cinco meses, Ana Márcia e Robério recorrem a esse expediente para decidir qual será a boa do fim de semana. “A gente costuma comprar para jantar fora, até porque o que mais tem é opção de restaurantes”, conta Ana Márcia.

Mas o relato de experiências muito desagradáveis de amigos fez o casal atentar para alguns cuidados. “Conheço pessoas que foram mal atendidas, que o garçom não dá atenção quando sabe que é com o cupom de descontos e várias histórias do gênero. Por isso, a gente toma muito cuidado”, garante Ana Márcia. “Quando a gente não conhece o fornecedor, a gente deixa de comprar. A gente olha sempre a forma de pagamento, os patrocinadores do site – não pode ser um site qualquer. Outra coisa é a data de validade da promoção, tem umas que são bem curtas. E a gente sempre pega, também, referência do lugar, com algum amigo que já tenha ido ou comprado lá”, enumera.
Compulsão
Há três meses consumidora de sites de compras coletivas, a jornalista Kerla Alencar até agora só tem boas experiências para contar. Mesmo recusando a pecha de compradora compulsiva – “Devo ter feito só umas 15 compras só. Não é muito, para a quantidade de coisas que eu recebo todo dia” -, Kerla revela que adotou medidas de segurança durante as compras que faz.

A primeira delas é coletar informações sobre o fornecedor do produto ou serviço em oferta. “Olho logo se ele tem um site e entro no site para sondar. Se não encontro, pergunto para alguém. Dificilmente eu compro no escuro”, afirma.

Outro aspecto que merece a atenção da jornalista é a localização do estabelecimento fornecedor. E não é por nenhum motivo preconceituoso, como poderia parecer a um leitor desavisado. “Se eu não conheço o estabelecimento, eu olho o endereço, para que seja perto de mim. Moro no Dionísio Torres, não me interessa um serviço em Messejana. Já estou economizando no valor, não vou gastar a mais no transporte”, justifica.

Outra dessas consumidoras de sites de compras coletivas que se cerca de cuidados ao ceder às tentações dos descontos é a designer gráfica Simone Ferla. Argumerntando não ter experiência na área – “fiz poucas compras até agora”, assegura -, a designer se preocupa principalmente com a forma de pagamento dos sites que visita.

“O cuidado que eu tive nas compraz que fiz foi ouvir a opinião de algumas pessoas que já tinham usado o crédito. Também olho qual a forma de pagamento. No site em que compro, a forma de pagamento é através de uma ferramente segura, instalada num grande portal. Esse sistema é que faz o débito”, afirma Simone. “Ouvi dizer de uma colega que esqueceu a senha e perdeu o crédito, isso não me aconteceu”.


ENTENDA A NOTÍCIA
Nos últimos meses, eles se tornaram verdadeira mania entre consumidores devido a seus tentadores descontos. Por isso mesmo, os sites de compras coletivas requerem cuidados redobrados de seus usuários na hora de fechar um negócio.

(Émerson Maranhão – O Povo Online)

Anúncios