Um doutorando da USP, homossexual, afirmou ter sido agredido, com um amigo, na região da avenida Paulista (centro de São Paulo), com uma garrafada no olho direito na madrugada da última terça-feira (25). Ele atribui a ação a um ataque homofóbico.

O rapaz, de 27 anos, disse que estava na rua Peixoto Gomide, entre a Frei Caneca e a Augusta (centro), entre as 4h e as 5h, quando foi golpeado no olho. Este seria o quarto ataque homofóbico em dois meses na mesma região.

Ele diz ter passado por cerca de dez rapazes vestidos de preto ao sair da boate GLS A Lôca, e estava, com o amigo, a caminho de casa.

“Na hora, fiquei tonto. Meu amigo disse: ‘Corre que você levou uma garrafada na cabeça.'” O amigo, segundo ele, levou um soco no peito.

O doutorando está há um mês no Brasil; o marido mora na Alemanha. Ele se diz decepcionado.

“A onda homofóbica revela cada vez mais a ignorância do povo em lidar com o diferente. Quando mais aumenta a visibilidade do diferente, mais aumenta a vontade de agressão. Falta investir em segurança e educação. Se a família brasileira não educa a criança a ser tolerante com o próximo, a escola tem que educar.”

POLÍCIA

O doutorando afirmou que a sua condição de homossexual determinou a forma como foi tratado pela Polícia Militar e pela Polícia Civil.

Ao chegar à base móvel da PM na esquina da avenida Paulista com a rua Haddock Lobo, nos Jardins, para pedir ajuda, ele disse que foi ignorado.

“Eles pensaram que havia sido uma briga na balada. Os PMs não pegaram o rádio, não fizeram nada para mandar uma patrulha para o local.”

Ele, então, chamou um amigo para pegá-lo e foi para o hospital.

Na manhã de sexta-feira (26), o rapaz procurou o 4º DP (Consolação). Segundo ele, ouviu do delegado Ricardo Prezia que o boletim de ocorrência deveria ser registrado na Decradi (especializada em crimes de intolerância), e não ali. A Secretaria da Segurança nega; diz que o delegado estava com uma outra ocorrência na frente e orientou o rapaz a esperar, o que este não quis fazer.

Ontem, ele disse ter recebido uma ligação de um tenente da PM que atua na região da Paulista e apura o caso. “Ele disse: ‘Não é porque vocês pensam que aquela área é de vocês [gays] que têm de se descuidar da segurança”. Aí discuti com ele. Eu tomo muito cuidado quando saio, mas disse que ele tem que entender que fatalidades acontecem.’

Em nota, a PM afirmou que “não compactua com nenhum tipo de irregularidade e apura com rigor qualquer desvio de conduta praticado por policiais, dando toda transparência aos casos dos quais toma conhecimento”.

A polícia também orientou que o rapaz formalize a reclamação na Corregedoria da PM.

AGRESSÕES

No dia 14 de novembro, um grupo de cinco jovens atacou três pessoas em dois momentos diferentes.

As vítimas prestaram queixas na Polícia Civil e quatros suspeitos foram detidos. Todos foram detitos em uma unidade da Fundação Casa, no entanto, três foram liberados. O quinto envolvido na agressão, Jonathan Lauton Domingues, 19, teve a prisão preventiva decretada, mas está foragido.

Logo após a divulgação do caso, uma quarta vítima desse grupo se apresentou no 5º DP (Aclimação) informando que apanhou de dois dos cinco suspeitos em março, também na região da avenida Paulista.

No dia 4 de dezembro, dois homens de 28 anos disseram que foram alvo de um grupo homofóbico formado por quatro homens e duas mulheres, na avenida Paulista, região central de São Paulo. Um retrato falado do suspeito foi divulgado pela polícia.

No dia 5 de dezembro, por volta das 4h20, dois homens que andavam na rua Frei Caneca afirmaram ter visto um homem desconhecido que se aproximou e os agrediu com um soco inglês.

(Folha Online)