O juiz da 4ª Vara Cível de Ribeirão Preto, Heber Mendes Batista, decretou na terça-feira (25) a falência da Leite Nilza. O laticínio, com unidades em Ribeirão Preto e Itamonte (MG), passava por um processo de recuperação judicial, mas escutas telefônicas do Ministério Público apontaram fraude no processo.

“O dono da empresa Airex e o presidente da Nilza combinaram um pagamento por fora, a um credor particular, para que este convencesse outros credores quanto a necessidade de aprovação do plano”, diz o juiz.

A empresa Airex Trading, de Manaus, que havia entrado com o pedido de recuperação, apresentou endereços falsos. A Justiça quer saber agora a origem dos R$ 5 milhões depositados para o pagamento dos 600 funcionários demitidos, que receberam a promessa de serem recontratados.

“Ela tinha capital social de R$ 50 mil. Dias antes da assembleia, misteriosamente, mudou para os R$ 5 milhões. Mudou também a denominação, para não levantar suspeita quanto ao dinheiro que seria utilizado para o pagamento”, completa Batista. Os donos das duas empresas devem ser processados por fraude a credores.

O processo de recuperação judicial, homologado em outubro de 2009, apontava uma dívida total de R$ 340 milhões da empresa, mas a dívida atual já beira os R$ 400 milhões. O laticínio chegou a liderar o mercado de longa vida no Estado de São Paulo. Apesar da falência, o pagamento dos credores ainda é incerto.

“Grande parte da indústria é constituída de bens com alienação a bancos. Aquilo que efetivamente pertence a ela é pequeno, talvez insuficiente para o pagamento da dívida, que hoje está em torno de R$ 400 milhões”, finaliza o juiz.

(EPTV – Globo)

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