A participação do Ceará no segundo escalão do governo da presidente Dilma Roussef ainda não é uma situação pacífica, como se fazia crer. Dos dois cargos mais cobiçados de órgãos federais com sede no Ceará – a presidência do Banco do Nordeste e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) – apenas o primeiro está bem encaminhado. O PT deverá manter Roberto Smith na presidência do BNB. No entanto, o DNOCS não deverá ficar na cota de nenhum político cearense.

Caberá ao líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), manter o potiguar Elias Fernandes Neto na presidência do DNOCS. Era um espaço do Rio Grande do Norte e assim permancerá, garante o peemedebista, contrariando o acordo do governador Cid Gomes com a bancada federal cearense, tornado público na semana passada pelo próprio governador.

Conforme o acordo, levado a conhecimento inclusive do ministro Antônio Palocci (Casa Civil), a bancada cearense defende a substituição de Elias Fernandes por César Pinheiro para o comando do DNOCS. Pinheiro ficaria na cota do PMDB cearense, mais precisamente do senador Eunício Oliveira.

Mas faltou combinar tudo isso com Henrique Eduardo Alves. Em entrevista ao Portal IG, o líder peemedebista desarrumou a ordem geral do que havia sido estabelecido pelo governador Cid Gomes e garante que sua indicação para o DNOCS já está resolvida.

Sobre o indicativo de outro nome para o órgão, o peemedebista é direto: “Isso foi coisa do governador Cid Gomes. Ele carregou toda a bancada do seu Estado ao Palácio para avançar nas indicações que cabem a outros partidos e a outros Estados que não o seu. O senador Eunício me disse que ficou sem graça. Não podia desmentir o governador publicamente. Mas o Eunício já tem duas diretorias lá no DNOCS, e espero que mantenha o comando da Funasa. Aliás, eu briguei com o PT por causa da Funasa”.

Para demonstrar segurança no que diz, Henrique Eduardo Alves também acrescenta que deverá continuar líder da bancada do PMDB na Câmara dos Deputados. No dia 1º de fevereiro, com o início da nova legislatura, vai apresentar à sua bancada, formalmente, uma lista com a assinatura de 70 dos 79 deputados do partido pedindo a sua recondução ao cargo.

Diante da situação, o acordo fechado entre Cid e a bancada cearense vai virar pó, ao menos no que diz respeito ao Dnocs? Se depender de Henrique Eduardo Alves, essa será a realidade imutável dos fatos.

(Portal CNews)