Nove dias depois, as polícias agiram. Após O POVO mostrar a atuação dos fabricantes de CDs e DVDs piratas no Centro de Fortaleza, mais de 72 mil produtos do tipo foram apreendidos. Além disso, 31 pessoas foram presas – dentre elas, 14 adolescentes. A ação foi realizada pelas polícias Militar e Civil, na manhã de ontem. A ordem veio do novo secretário da Segurança do Estado, coronel José Bezerra: “Vamos limpar a cidade da pirataria”.

Foi o que contou o titular da Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF), delegado Jaime de Paula Pessoa, que comandou os trabalhos. De acordo com ele, os milhares de CDs e DVDs foram achados pelos policiais nas áreas das ruas Liberato Barroso, Guilherme Rocha e Barão do Rio Branco. Tudo no Centro. A operação também ocorreu na área conhecida como Buraco da Jia, onde foi apreendida grande parte da mercadoria.

Nesses locais, eram vendidos os CDs e DVDs. A maioria, DVDs de filmes e de jogos. Cada disco custava R$ 2,50. Jogo é mais caro, a embalagem um pouco melhor – R$ 5. Segundo o delegado, o lucro em cada produto é de cerca de R$ 1,50. Uma sala de prédio comercial, também no Centro, era usada como depósito dos produtos. Quatro pessoas foram presas lá, em flagrante. Devem responder também por formação de quadrilha. Os presos nesta operação foram autuados por violação de direito autoral e podem ser penalizados reclusão de dois a quatro anos.

Um carro também foi apreendido pela Polícia. Foi encontrado com DVDs e R$ 4 mil, que, conforme a Polícia, seriam usados para a compra de mais material. Um homem foi preso com o veículo.

O passo seguinte da Polícia é investigar o caminho inverso. A partir da prisão dos vendedores, espera chegar à ponta inicial da história – aos fabricantes e distribuidores do material.

Apelo à população

O delegado Jaime de Paula Pessoa aproveitou para apelar à população que não contribua com a pirataria, adquirindo produtos do tipo. A Delegacia de Defraudações vai solicitar à Justiça a destruição do material apreendido, que o delegado classifica como “inservível, imprestável”.

Ele cita que esta foi a primeira das “várias ações” que a Polícia desencadeará no combate à pirataria. “Vários procedimentos têm sido feitos pelos setores de Inteligência das Polícias. Vocês terão uma surpresa nos próximos dias”, adiantou o delegado, deixando o clima de expectativa.

ENTENDA A NOTÍCIA

A venda da mercadoria falsificada deve ser combatida, embora muitos não analisem o negócio como crime. Matérias do O POVO justificaram que o comércio de produtos piratas financia a atuação de milícia no Centro de Fortaleza.

ENTENDA O CASO

No dia 12/1, O POVO mostrou que uma milícia, acusada de dar proteção a fabricantes de CDs e DVDs piratas, estaria ameaçando de morte a secretária do Centro, Luíza Perdigão. O grupo, segundo documento da Secretaria da Segurança, é comandado por um tenente da PM que vende proteção à rede de pirataria.

Um dia depois, O POVO mostrou que a Corregedoria sugeriu a abertura de conselho de justificação e inquérito contra um tenente que comandaria o grupo. No 34º DP, o oficial negou as acusações. No dia 14/1, o jornal expôs que pelo menos sete fabricantes de CDs e DVDs piratas dominam os principais quarteirões do Centro de Fortaleza. Os “donos das ruas” impedem a fiscalização. Fiscais denunciam ameaças de morte.

MAIS SOBRE A APREENSÃO

Dos adultos presos, há uma mulher. Eles irão para a Delegacia de Capturas.

O chefe do Comando de Policiamento da Capital (CPC), coronel Jarbas Araújo, enfatizou que a Polícia está pronta “para combater não só CD e DVD, mas qualquer mercadoria pirateada”. E completou: “Sabemos que o dinheiro arrecadado com essa pirataria é empregado em outras atividades criminosas”.

Jaime de Paula, titular da Delegacia de Defraudações, comentou que 42 pontos de venda e fabricação de CDs e DVDs piratas foram identificados no Centro.

A Polícia tentou visitar todos, mas alguns não foram montados ontem. A operação deveria ser deflagrada há alguns dias. Devido à chuva, foi postergado para ontem.

Atuaram 64 homens das Polícias Civil e Militar. Muitos trabalharam sem o fardamento, para dificultar a identificação.

O superintendente da Polícia Civil, Luiz Carlos Dantas, lembrou à Prefeitura: “Esperamos que a Prefeitura, recebendo a praça limpa, mantenha a praça limpa”.

A Polícia informa que não só o Centro está sendo investigado. “Esta operação não será só no Centro. Sabemos que essas pessoas estão se deslocando também para a periferia, Região Metropolitana e Interior do Estado”, comentou o coronel Jarbas Araújo.

Denúncias de pirataria devem ser encaminhadas à Polícia pelo número 190 ou pelo 3101 7338, número da Delegacia de Defraudações.

(Daniela Nogueira – O Povo Online)