A cidade de Campos dos Goytacazes, na região norte do Rio de Janeiro, está em alerta máximo em função da cheia do rio Paraíba do Sul, que corta o município. O nível do Rio já subiu 10,15 metros, e a comunidade da Ilha do Cunha já começou a ser inundada. Trinta famílias foram retiradas do local, e encaminhadas para um abrigo do município.

Segundo a Defesa Civil de Campos, o nível do Rio sobe lentamente. A situação, por enquanto, está sob controle, mas existe o temor de que uma chuva forte provoque alagamentos na cidade. O rio transborda completamente quando o nível sobe 12 metros.

O rio começa em Minas Gerais, passa por Guararema (SP) e termina no norte fluminense. O nível vem subindo em função das chuvas contínuas que atingem a Zona da Mata mineira e o Vale do Paraíba.

A cheia do rio Paraíba do Sul provocou a interdição da RJ-194, via que liga Campos a São Francisco de Itabapoana, também no norte do Rio. A água invadiu a rodovia nas proximidades de Gargaú, distrito de São Francisco de Itabapoana.

TRAGÉDIA

O número de mortos em consequência das chuvas em cinco municípios da região serrana do Rio já chega a 642 nesta segunda-feira, segundo balanço divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil.

Nova Friburgo concentra o maior número de vítimas. Até o momento, foram achados 294 corpos. Teresópolis tem 271 mortos, e Petrópolis contabiliza 56 mortes. Também foram registrados óbitos nos municípios de Sumidouro (19) e São José do Vale do Rio Preto (2).

Petrópolis tem 2.800 desabrigados (pessoas que perderam suas casas), e outros 3.600 desalojados (pessoas que foram obrigadas a sair de casa). Em Nova Friburgo, são 1.970 desabrigados e 3.220 desalojados. Já em Teresópolis, 1.280 pessoas perderam suas casas, e 960 deixaram suas residências.

DOAÇÕES

De acordo com reportagem publicada hoje na Folha, há ao menos 170 toneladas de doações e milhares de voluntários, mas a situação caótica na região serrana do Rio tem dificultado a entrega de água, comida e roupas aos moradores que mais precisam de ajuda. Também começam a surgir indícios de desvios das doações.

Na cidade de Teresópolis, o centro que recebe e distribui donativos é o ginásio Pedrão. Policiais militares vigiam o procedimento. ‘Tem gente que recebeu e não estava desabrigado. Tem gente que recebeu dez vezes a mesma coisa’, diz o empresário Sérgio Epifânio, um dos coordenadores do atendimento.

(Folha Online)