Um vídeo produzido pela equipe do Núcleo Audiovisual do Circo Voador, no Rio de Janeiro, mostra um flagrante de discriminação racial no acesso da porta giratória com detector de metais da agência Glória do Itaú Unibanco, no Rio de Janeiro. O fato ocorreu no dia 9 de novembro de 2009. As imagens estão na Internet, com mais de 164 mil acessos, e o caso foi denunciado para a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, da Presidência da República.

O flagrante

O Circo Voador filmou dois jovens entrando no mesmo banco, com a mesma bolsa, em momentos diferentes. A mochila tinha chaves, celular e moedas.

Primeiro, o produtor Lucas Louzada, 27 anos, de cor branca, entra com a bolsa no banco e atravessa a porta em menos de cinco segundos.
Após sair da agência, o jovem MC Xackall, de cor negra, recebe das mãos de Louzada a mesma mochila e tenta ingressar na agência. A porta trava. O rapaz tira os objetos. A porta continua travada, Tira até a camisa para mostrar que não estava armado. A porta segue travada com a vigilante olhando. Depois de um minuto e trinta e três segundos, ele desiste e se retira da agência para não atrapalhar a filha que se formava do lado de fora. Veja o vídeo abaixo:

Para o Circo Voador, “o método de segurança utilizado atualmente pelas agências bancárias é baseado no pré-julgamento do segurança, que possui o controle de trava das portas”.

A entidade carioca está circulando na internet o Manifesto Porta na Cara, onde propõe “a mudança da porta de segurança das agências para um sistema de Raio X ou um equipamento de segurança que realmente mostre os pertences que estão sendo conduzidos pelo cliente”.

Bancários combatem discriminações e defendem porta de segurança

A Contraf-CUT recebeu cópias do vídeo e do processo em andamento e, após análise, encaminhou nesta semana um documento para a Ouvidoria da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. As imagens são chocantes e exigem medidas dos bancos e das empresas de vigilância para garantir igualdade de acesso para todos os clientes e usuários.

“Nós afirmamos a luta histórica dos bancários contra toda e qualquer discriminação de raça, etnia, gênero e orientação sexual. Mais do que defender essa causa, vimos erguendo ano após ano a bandeira da Igualdade de Oportunidades, tendo sido uma das prioridades nas últimas pautas de reivindicações das campanhas nacionais dos bancários”, destaca o secretário-geral da Contraf-CUT, Marcel Barros.

“Defendemos a colocação da porta de segurança com detectores de metais em todas as agências e postos e criticamos a postura do Itaú Unibanco de retirar esse equipamento em inúmeras cidades do Brasil”, aponta o secretário de imprensa e coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária da Contraf-CUT, Ademir Wiederkehr. “Avaliamos que essa porta foi decisiva na redução do número de assaltos, que ainda colocam em risco a vida de trabalhadores e clientes. Conforme estatística da própria Febraban, houve 1.903 ocorrências em 2000 e 430 em 2009”.

A porta giratória é um instrumento necessário para a melhoria da segurança das pessoas e, para que seja eficiente, precisam ser asseguradas três condições básicas: equipamento tecnicamente adequado e bem regulado; vigilantes treinados e requalificados; e clientes e usuários orientados sobre o seu funcionamento. Muitas vezes, esses procedimentos não são adotados pelos bancos, ocasionando transtornos, discriminações e até tragédias.

“Também propomos a instalação da porta giratória antes da sala de autoatendimento, mas não na fachada externa e sim com um pequeno recuo para facilitar o acesso, onde deve ser colocado um armário de portas individualizadas e chaveadas para a guarda de objetos dos clientes”, salienta Ademir. “Esse guarda-volumes é uma medida que já vem sendo praticada em algumas agências, contribuindo para evitar possíveis constrangimentos e agilizar o acesso de clientes, sendo que o custo desse móvel é insignificante diante dos lucros astronômicos dos bancos”, conclui.

Fonte: Contraf-CUT

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