A Defesa Civil do Rio informou na manhã desta sexta-feira que subiu para 41 o número de pessoas mortas na cidade de Petrópolis em decorrência das chuvas desta semana. Com isso, chega a 510 o total de óbitos na região serrana do Rio.

Além dos mortos em Petrópolis, há registro ainda de vítima em Nova Friburgo (225), Teresópolis (223), Sumidouro (17) e São José do Vale do Rio Preto (4). Há ainda aos menos 7.780 pessoas desalojadas –foram para casa de amigos e familiares– e outras 6.050 desabrigados, ou seja dependem de abrigos públicos.

Como a Folha mostrou hoje, mais de 30 projetos com medidas para minimizar os efeitos das enchentes estão parados no Congresso. As propostas vão de benefícios fiscais para quem doa recursos às vítimas das chuvas até informações solicitadas ao governo federal em tragédias passadas que nunca chegaram ao Legislativo.

Ontem (13), a presidente Dilma Rousseff sobrevoou nesta quinta-feira as áreas afetadas e afirmou que momento vivido pelos moradores da região serrana é “dramático” e que as cenas que presenciou são “muito fortes”.

O governador Sérgio Cabral (PMDB) voltou a culpar as prefeituras das cidades da região serrana pelo incentivo à moradia em áreas de risco. “Lamentavelmente, o que nós tivemos em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, da década de 1980 pra cá, foi um problema muito semelhante com o que ocorreu na cidade do Rio, que é a desgraça do populismo. Deixar a ocupação pelos mais pobres das áreas de risco”, disse.

Cabral disse que, apesar de haver mortos que estavam em casas de alto padrão, a maior parte das vítimas são “pessoas humildes”.

TRAGÉDIA

O número de mortes no Rio ultrapassou as que foram registradas no município de Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, em março de 1967. Na ocasião, foram contabilizadas 436 mortes em decorrência de fortes tempestades e deslizamentos de terra –condições semelhantes às das cidades no Rio nesta semana.

De acordo com a professora Luci Hidalgo Nunes, doutora do Departamento de Geografia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), os dados sobre o episódio são estimados por conta das dificuldades, à época, para localizar os corpos.

Mesmo assim, segundo a professora, é possível afirmar que o desastre deixam 510 mortos no Rio; tragédia no Rio é a maior do Brasil.

As mortes também superam as das enchentes de 1966 e 1967 no mesmo Estado. O Rio sofre com os efeitos das tempestades desde 1700, de acordo com registros de jornais na época. Nunes cita relatos de 1711 sobre inundações e de 1756 de fortes chuvas e ventos com vítimas.

(Folha Online)

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