Nos últimos três dias foram derramados 450 litros de água em cada metro quadrado das três principais cidades da Região Serrana do Rio – Petrópolis, Teresópolis e Friburgo, esta a mais afetada por mais uma tragédia de verão no Estado do Rio. Por volta das 14h de ontem já haviam sido contabilizados quase 400 mortos, bem mais que os 250 óbitos provocados pelas chuvas de abril de 2010.

Apesar do esforço das autoridades estaduais após a catástrofe do ano passado, pouco pôde ser feito para evitar mais esta página triste na história do Rio de Janeiro. Se, há um ano, o epicentro da tragédia foi Angra dos Reis, desta feita a Região Serrana sofre mais. Tanto naquela quanto nesta, os mesmos problemas: ocupações de encostas, desmatamento e açoreamento dos rios, que boa parte da população continua usando como depósitos de lixo.

São muitas as moradias em locais de risco a serem removidas. Basta dizer, como mostra reportagem nesta edição, que no Morro dos Prazeres, região central do Rio, ainda há pessoas vivendo em casas condenadas por absoluta falta de opção. E lá se vão nove meses das chuvas de abril de 2010.

Somem-se à falta de recursos e de logística para realocar tanta gente, os desmandos cada vez mais frequentes da natureza, atormentada pelas mudanças climáticas no planeta. Também nesta edição, o JB mostra que em vários países há sofrimento e mortes. Da Tailândia à Alemanha, da França à Bolívia. Resta saber como cada governante vai reagir a mais este grande desafio administrativo.

(Jornal do Brasil)

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