Ninguém sabe como, mas uma jovem conseguiu passar a noite no Instituto Presídio Professor Olavo Oliveira (IPPOO) I, no Itaperi. Em depoimento aos agentes prisionais que a encontraram, ela teria dito que entrou lá sem ser vista e que “dormiu” com um dos detentos. A jovem estava sem documentos, mas disse ter 17 anos. Ela teria chegado ao presídio na tarde da quarta-feira e ficado lá até a manhã de ontem.

A Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus) abriu uma sindicância para investigar o caso. “É um fato inusitado, pegou todo mundo de surpresa. Vamos apurar os fatos para saber de quem foi a responsabilidade. Saber qual foi a falha e corrigir”, promete o secretário em exercício Francisco José Veras de Albuquerque. A vigilância no IPPOO I é feita por agentes penitenciários e policiais militares.

O coordenador do Sistema Penitenciário no Ceará, Bento Laurindo, explica que, para entrar no presídio, é preciso passar por três etapas. A primeira é mostrar o documento de identidade na entrada do IPPOO. Em seguida, o visitante vai para o setor administrativo, onde é feita uma “revista corporal”. Se nenhuma irregularidade for encontrada, a pessoa segue para uma fila e espera o policial militar abrir o portão que dá acesso ao pátio onde ficam os detentos.

“De alguma forma, essa suposta adolescente conseguiu burlar a vigilância”, comenta Laurindo. Os agentes a encontraram após receberem denúncia de que uma jovem teria passado a noite com um detento numa cela. Foi feita uma vistoria no presídio e a garota foi encontrada no pátio. O presidiário que teria dormido com ela também foi ouvido. “Ele negou. Disse, inclusive, que é casado”, informa o coordenador da Cosipe, acrescentando que o detento foi condenado a 13 anos por homicídio.

A jovem foi levada para o 8º Distrito Policial (DP), no José Walter. Após prestar depoimento, ela foi liberada. Na noite de ontem, O POVO entrou em contato com o delegado Bruno de Figueiredo, que responde interinamente pelo 8º DP. Ele contou que passou a tarde em curso promovido pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e, por isso, ainda não tomou conhecimento do caso.

“Se ela foi ouvida, foi pelo escrivão”, diz o delegado. Hoje, ele irá se inteirar do caso para saber que providências tomar. “Vou olhar os depoimentos para ver se configura crime ou se foi uma simples irregularidade do preso que quebrou uma regra”. Segundo Bruno, se a jovem fez sexo consentido e tem mais de 14 anos, não há crime. “Agora, o que precisa é a secretaria (da Justiça) apurar como ela entrou lá sem ninguém ver, saber de quem é a responsabilidade”, acrescenta o delegado.

Como a vigilância também é feita por policiais militares, a SSPDS deve abrir um outro procedimento administrativo. No caso da sindicância aberta pela Sejus, o prazo é de 10 dias.

ENTENDA A NOTÍCIA

Mais uma vez, o esquema de segurança no IPPOO I se mostrou falho. No ano passado, sete detentos fugiram escalando a muralha do presídio. No caso de ontem, a suspeita é de que houve facilitação.

SAIBA MAIS

O Instituto Presídio Professor Olavo Oliveira (IPPOO) I abriga presos em regime semi-aberto. Os detentos passam o dia no pátio e só vão para as celas durante a noite.

Atualmente, há cerca de 400 presos detidos no IPPOO I.

A nova secretária da Justiça e Cidadania, Mariana Lobo, ainda não assumiu a função porque está de férias na Defensoria Pública. Francisco Veras está respondendo interinamente.

Este não é o primeiro caso inusitado que ocorre no sistema penitenciário do Ceará. No ano passado, um preso se passou por outro e conseguiu fugir após enganar a direção da Casa de Privação Provisória de Liberdade (CPPL) de Caucaia.

(Tiago Braga – O Povo Online)

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