O ano de 2010 registrou o maior volume financeiro de fusões e aquisições dos últimos cinco anos envolvendo empresas brasileiras, segundo a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). Os dados do 4º trimestre só devem ser fechados e divulgados em 2011, mas os números de janeiro a setembro já representam um recorde.

Nos nove primeiros meses do ano, os negócios totalizaram R$ 144,8 bilhões. O montante ultrapassa em 21,7% os R$ 119 bilhões registrados em todo o ano passado e é maior que os R$ 136,5 bilhões contabilizados em 2007, até então o ano de maior movimentação.

“Esse volume reflete o bom momento econômico do Brasil e a confiança que os investidores estrangeiros depositam no país num cenário de incerteza e dúvidas em relação aos Estados Unidos e à Europa”, avalia Bruno Amaral, presidente do subcomitê de fusões e aquisições da Anbima.

Vela lista dos 10 maiores negócios anunciados em 2010 (até setembro)
Empresas Data do anúncio Valor do negócio operação
Telefónica e Portugal Telecom 28/07 R$ 18,2 bilhões Telefónica adquiriu participação da PT na Brasilcel, dona da Vivo
Tam e Lan 13/08 R$ 14,4 bilhões formação da LATAM
Shell e Cosan 25/08 R$ 11,6 bilhões associação
Grupo Oi e Portugal Telecom 28/07 R$ 9 bilhões Portugal Telecom adquiriu participação na Oi
Vale e Norsk Hydro 02/05 R$ 8,5 bilhões venda dos ativos de alumínio da Vale
Bunge Part. e Invest. e Vale 26/01 R$ 7 bilhões aquisição de 100% dos ativos de fertilizantes da Bunge pela Vale
BP e Devon Energy Corporation 11/03 R$ 5 bilhões aquisição dos ativos brasileiros da Devon
Unipar e Braskem 22/01 R$ 4,9 bilhões aquisição das participações da Unipar na Quattor, Polibutenos e Unipar Comercial
Net e Embratel 07/10 R$ 4,6 bilhões compra de ações da Net pela Embratel
Agre e PDG Realty 03/05 R$ 4,4 bilhões aquisição da Agre pela PDG Realty
Fonte: Anbima (Associação Brasileira dos Mercados Financeiro e de Capitais)

 

O destaque do ano foi o setor de telecomunicações, com participação de cerca de 20% sobre o volume total dos anúncios. Em seguida, aparece agronegócios, com 15% das operações, e metalurgia e siderurgia, com participação de 13% sobre o volume total.

“O mercado de telecomunicações passou por uma reconfiguração. Os atores envolvidos são os mesmos, mas houve uma redistribuição das participações nas empresas já existentes”. diz Amaral.

Investimento estrangeiro
O consolidado dos anúncios de fusões e aquisições no ano mostra também uma retomada de negócios envolvendo a compra de empresas brasileiras por europeias e norte-americanas. As transações dessa natureza responderam por 32,9% do volume total nos nove primeiros meses deste ano, enquanto no mesmo período dos anos anteriores essa participação havia sido de 9% em 2009 e 13,3% em 2008.

“As companhias de fora fazem investimentos aqui para compensar a redução das atividades nos seus mercados de origem. Por outro lado, tivemos a partir do segundo semestre uma recuperação das economias da Europa e dos Estados Unidos”, diz Amaral.

As 38 aquisições realizadas entre empresas brasileiras até setembro somaram um volume financeiro de R$ 22,6 bilhões. O montante representa apenas 15,6% do total, mas é o tipo de negócio com maior número de operações feitas no país em 2010. “As empresas brasileiras, até mesmo as familiares, já aprenderam a pensar de uma maneira global e estão abertas para receber investidores de dentro ou fora do país”, afirma o analista.

Para Amaral, as operações de fusões e aquisições no Brasil devem continuar aquecidas em 2011. “É difícil dizer se vamos atingir os mesmo volumes, mas a confiança na economia brasileira continua forte e ao que tudo indica teremos uma transição de governo sem maiores turbulência”, diz.

Entre os setores que devem se destacar no ano que vem, ele chama a atenção para o de commodities, incluindo agronegócio, metais e petróleo, e de segmentos ligados ao crescimento do consumo interno, como varejo e alimentos.

(Portal G1)

Anúncios