O Ceará criou 569.229 empregos em onze anos, no Interior, entre 1999 e ano passado. A expansão da economia no período proporcionou uma série de transformações nas nas zonas urbanas e rurais. O consumo de motos é um dos exemplo – para o bem e para o mal.

Ficou fácil ter uma moto hoje no Ceará. No Interior é possível comprar uma unidade nova sem dar um real de entrada e com parcelas de pouco mais de R$ 200. Além disso: não precisa ter habilitação para efetuar a compra. E ainda há facilidade de financiamento.

A moto é o símbolo do crescimento econômico do Interior neste período. Em 2001, por exemplo, havia 152.679 motos nas cidades interioranas. Já este ano o número saltou para 579.691 unidades. O crescimento foi de 279% em dez anos.

Limoeiro do Norte era um exemplo de cidade tomada por bicicletas. Parecia uma China em pleno Jaguaribe. O desenvolvimento mudou a vida de cidade. É como diz o prefeito João Dilmar: quem tinha cabra passou a ter vaca; no trânsito a bicicleta e o jumento deram lugar à moto.

“A moto é hoje um bem muito visado e o consumo se tornou desejado e possível. E a moto, como um bem durável, reflete o atual cenário econômico”, afirma o coordenador de Estudos e Análise de Mercado do Instituto de Desenvolvimento de Trabalho (IDT), Erle Mesquita.

O setor público e a indústria foram os principais puxadores da alta do emprego no Interior neste período. Além disso, houve melhorias na distribuição de renda e, ainda, investimentos públicos e privados. Estes motivos, conforme Erle, permitiram ao Interior expandir sua economia e a explosão no consumo de motos foi uma das consequências.

O Departamento Estadual de Trânsito (Detran) indica que, em 1980, 77% de todos os veículos do Ceará estavam em Fortaleza. A realidade se manteve até 1990. Já a partir de 2000 houve a explosão de motos no Interior e o cenário mudou: as cidades interioranas hoje concentram 57,8% de toda a frota do Ceará.

Hoje o Ceará tem a sétima maior frota de motos do Brasil, atrás somente de estados mais ricos e mais populosos. Tem mais moto que o Rio de Janeiro, por exemplo. Em 2001 as motos representavam somente 29% de toda a frota do Ceará. Hoje o percentual é de 45%, conforme o Detran. O setor de motos acelera e o poder público não tem freio. Quase todo o território do Ceará hoje não tem fiscalização de trânsito. A mistura entre dinheiro, acesso facilitado e politicagem leva a um caos no asfalto e nos hospitais. E a cada dia piora.

Somente 26% das cidades do Ceará hoje têm órgão de trânsito. São 135 prefeituras atualmente descumprindo a lei e se omitindo de fiscalizar irregularidades como o uso de álcool por motoqueiros, falta de capacete, menores ou pessoas inabilitadas conduzido motos, entre outros abusos.

Nos últimos nove anos houve 2.871 motoqueiros mortos e 35.584 feridos em todo o Ceará.

(O Povo Online)

Anúncios