A Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) confirmou, entre janeiro e novembro deste ano, 32 casos de pacientes infectados pela superbactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) no Ceará. De acordo com a Sesa, não houve registro de mortes por conta da superbactéria. Os pacientes foram tratados e já receberam alta.

O coordenador de promoção e proteção à Saúde da Sesa, Manoel Fonseca, explica que foi colhido material biológico de 32 pacientes. Todos os exames tiveram resultado positivo. De acordo com Fonseca, no período de um ano foram registrados em média dois casos de pacientes infectados por hospital.

“Isso não caracteriza surto porque não há concentração temporal nem espacial”, detalha. No total, segundo ele, a superbactéria foi encontrada em 17 hospitais, dez particulares e sete públicos. A Sesa não divulga o nome dos hospitais onde os casos foram confirmados.

Conforme O POVO adiantou na edição de 23 de outubro, em todo o Estado eram 150 casos suspeitos de infecção pela superbactéria. Fonseca explica que apenas a partir de agosto a Anvisa tornou obrigatória o recolhimento de material biológico de pacientes suspeitos. Por conta disso, somente a partir dessa data foi recolhido material. “Os outros pacientes foram tratados como se fosse a bactéria e também já tiveram alta”, detalha.

Manoel Fonseca lembra que não houve notificação recente de casos, resultado, segundo avalia, da incorporação das medidas adotadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), como o uso de álcool em gel próximo aos leitos. “Outra medida é verificar se todo cateter intravenoso tem presença de bactéria após o uso”, acrescenta.

A chefe da divisão de microbiologia do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), Iracema Patrício, explica que o Lacen realiza triagem dos casos antes de enviar para a Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, onde os casos são diagnosticados.

“O Ministério da Saúde está capacitando técnicos. No próximo ano, a tipagem (das bactérias) vai ser feita aqui”, adianta. Segundo ela, os exames continuam em 2011, quando devem chegar resultados de novas unidades hospitais.

Resistência

Manoel Fonseca diz que a presença da KPC em UTIs chamou a atenção pela concentração de casos num único hospital em Brasília. Segundo ele, porém, as infecções hospitalares são comuns em qualquer hospital. “As infecções vão continuar existindo. Nossa preocupação vai ser sempre melhorar as condições sanitárias para evitar os casos”, destaca.

Segundo ele, no ambiente de UTI existem múltiplas possibilidades de infecção, devido às multi-invasões por que passam os pacientes. “Os procedimentos para evitar as infecções eram normalmente adotados, mas agora a Anvisa estabeleceu como regra”, acrescenta.

Ainda de acordo com Fonseca, o tratamento dos pacientes infectados é feito com antibióticos, ou associação deles, a partir de decisão da comissão de controle de infecção hospitalar do hospital. Ele lembra que não há risco de disseminação da bactéria na sociedade, pois a KPC está restrita a ambientes hospitalares.

ENTENDA A NOTÍCIA

A resistência das bactérias está relacionada ao uso indiscriminado de antibióticos. Para prevenir esses casos, a Anvisa tornou mais rígida a compra desses medicamentos nas farmácias de todo o País.

 

SAIBA MAIS

Em todo o País, a Anvisa contabilizou até o fim de outubro 329 casos de infecções pela superbactéria KPC. Dados mais atualizados não foram informados.

Os Estados com maior ocorrência foram São Paulo, com 70 casos (24 mortes) e Distrito Federal, 194 casos (22 mortes). Os dados do Ceará não entraram no balanço

Para evitar a disseminação de bactérias resistentes entre a população, outra medida adotada pela Anvisa foi controlar a venda de antibióticos nas farmácias. Desde o fim de novembro, a venda de antibióticos só é feita com a apresentação de receita de controle especial em duas vias.

O QUE É

A Klebsiella pneumoniae Carbapenemase (KPC) é um mecanismo de resistência de bactérias a um grupo de antibióticos. Ao adquirir uma enzima (KPC), a bactéria se torna resistente a um grupo de antibióticos, incluindo os mais potentes contra infecções.

Ela pode ser transmitida por meio do contato direto, como o toque, ou pelo uso de objetos. Os principais sintomas são pneumonia e infecção urinária. Ela atinge principalmente pessoas hospitalizadas com baixa imunidade, como pacientes de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

(O Povo Online)