“Aparecida – O Milagre”, filme que estreia hoje, foi feito pensando num público bem específico e por isso deve ser visto por esse ponto de vista. Caso contrário, qualquer pessoa que assisti-lo considerará o longa um apanhado de chavões com frases prontas e roteiro que beira o primário. Mas que público é esse que o filme dirigido por Tizuka Yamasaki quer alcançar? Segundo o produtor, Paulo Thiago, o foco são os católicos brasileiros das classes C e D, que começam a frequentar o cinema. Segundo o Vaticano, o Brasil tem cerca de 120 milhões de católicos. Só o santuário de Aparecida é visitado anualmente por 9 milhões de pessoas, um público que não deve ser ignorado. 

Tizuka Yamasaki não considera que seu filme faça parte de um filão religioso que tem também obras como os espíritas “Chico Xavier” e “Nosso Lar” e o católico “Maria, Mãe do Filho de Deus”. Mas é inegável que o longa entra no mesmo pacote. “Não sou católica e tenho inveja de quem é devoto religioso e tem a capacidade de acreditar nesse universo invisível”, diz a diretora. O longa deverá sair com 300 cópias – quase o dobro de “A Suprema Felicidade”, de Arnaldo Jabor, que teve 170 cópias, e perto da metade de “Tropa de Elite 2”, com cerca de 650. “É impossível prever quantas pessoas irão assistir ao filme. Se atingirmos um milhão de espectadores será um bom resultado”, diz. O longa teve orçamento de R$ 5,2 milhões. 

O filme não conta a história da padroeira do Brasil, Nossa Senhora de Aparecida, e sim contextualiza a fé que milhões de brasileiros têm na santa católica para contar como um homem cético se torna devoto a partir de um suposto milagre atribuído a ela. Esse homem é Marcos Rezende (Murilo Rosa), pai de Lucas (Jonatas Faro). Marcos é muito rico, dono de uma multinacional. Depois que Lucas sofre um acidente de moto e fica à beira da morte, o empresário retoma sua fé, perdida quando era criança e viu seu pai sofrer um acidente e morrer quando reformava o teto da Basílica. Depois de ter uma visão à beira do rio Paraíba do Sul, onde a imagem da santa foi encontrada, Marcos resolve pedir por um milagre. Nesse momento um flashback recria como a imagem da santa negra com a cabeça quebrada foi encontrada em 1717 por pescadores. Em seguida, conta-se que milhares de peixes teriam sido pescados, livrando o povo da fome. 

O destaque fica para a atuação do estreante Vinicius Franco, 11 anos, que interpreta Marcos na infância. O garoto esbanja simpatia em cena. Além de Murilo Rosa e Jonatas Faro, elenco conta ainda com Maria Fernanda Cândido, Rodrigo Veronese e Leona Cavalli.

(Jornal da Tarde)

Anúncios