“O Louco Amor de Yves Saint Laurent”, documentário sobre a relação de 50 anos entre o estilista e seu marido, o francês Pierre Bergé, estreou sexta-feira (03) nos cinemas do Rio e de São Paulo. Este é o primeiro longa-metragem de Pierre Thoretton, escultor, ex-marido da atriz Chiara Mastroianni e amigo pessoal de Bergé.

YVES SAINT LAURENT e seu marido, PIERRE BERGÉ. Na foto à direita, UM FAMOSO RETRATO DE SAINT LAURENT

A ideia do diretor era investigar como essa relação foi capaz de durar tanto tempo nos dias de hoje. O documentário é construído a partir de depoimentos dados por Bergé a Thoretton. No entanto, o empresário fala menos sobre o casal e mais sobre Saint Laurent – sua personalidade ao mesmo tempo genial e depressiva, seus enigmas e seu encanto pela moda.

Nascido na Argélia na época em que o país africano era território da França, Yves Saint Laurent está entre os grandes estilistas do século 20. Colocou na moda o smoking feminino, as calças knickers (na altura dos joelhos), os vestidos trapézio (de corpete semiajustado e saia evasê) e os casacos saharienne, de inspiração safári. Foi também um dos primeiros a decretar o fim do império da alta-costura e a criar uma coleção prêt-à-porter, em 1966.

Com a coleção Mondrian, de 1965, feita de vestidos estampados pelos traços e cores do pintor holandês, inaugurou uma série de criações unindo os universos da moda e da arte. Ainda que fosse extremamente tímido e retraído, YSL não economizou na transparência para marcar suas roupas e foi ousado o suficiente para posar nu na campanha publicitária de seu primeiro perfume.

Aos 17 anos, Saint Laurent entrou para a Maison Dior como assistente de Christian Dior. Após a morte de seu mestre, em 1957, assumiu o posto de diretor criativo da grife francesa. Tinha apenas 21 anos.

Foi durante o enterro de Dior que Yves Saint Laurent e Pierre Bergé, nome à época já conhecido da classe artística francesa, se viram pela primeira vez. Pouco tempo depois, encontraram-se durante um jantar e logo começaram o romance que durou meio século, até a morte do estilista, aos 71 anos, em fevereiro de 2008. Juntos, fundaram a Maison YSL e acumularam um enorme patrimônio, feito de centenas de obras de arte e endereços em Paris, Marrakech (onde Saint Laurent dizia sentir-se em casa) e na Normandia. Bergé foi seu parceiro de vida e trabalho, a fortaleza e o homem de negócios do casal.

A relação dos dois, no entanto, foi marcada por altos e baixos, como bem mostra o documentário. Tal como é comum a tantos gênios, Yves Saint Laurent tinha suas muitas particularidades, além de uma personalidade depressiva. Suas crises interferiram diretamente no romance – Pierre Bergé chegou a separar-se por um tempo do estilista no auge do envolvimento de YSL com álcool e drogas, nos anos 1990. “Eu tentei durante todo esse tempo juntos tirar Saint Laurent de suas crises e de sua profunda introspecção. Mas ninguém teria conseguido isso”, diz ele. “Saint Laurent só ficava contente duas vezes por ano, ao fim de seus desfiles, quando recebia aplausos e cumprimentos. No dia seguinte, voltava a seu estado depressivo”.

O filme revela ainda outras peculiaridades da personalidade do estilista, como o fascínio pelo personagem Swann, do escritor Michel Proust. Nas viagens que fazia, Saint Laurent costumava registrar-se nos hotéis com o nome Swann. Também mostra seu pouco interesse pela política e passeia pela moda do estilista por meio de imagens de seus croquis e de seus mais emblemáticos desfiles. Além das longas conversas com Pierre Bergé, Thorreton colheu depoimentos de Loulou de la Falaise, musa e parceira criativa de Yves Saint Laurent, para descrever com mais precisão o valor deste gênio da moda.

(Revista Época Online)

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