Brasília – Ala E da Prisão Wandsworth, um prédio de arquitetura vitoriana construído em 1851 na região sudoeste de Londres. Em uma de suas celas, o homem que se transformou no ´arquivo vivo` dos segredos da diplomacia norte-americana aguarda nova audiência na Corte do Magistrado de Westminster, marcada para a próxima terça-feira. Às 9h30 de ontem (7h30 em Brasília), o ex-hacker Julian Assange se apresentou no tribunal londrino e saiu de lá, rumo a Wandsworth, dentro de uma van da Polícia Metropolitana. O juiz Howard Riddle rejeitou a libertação sob fiança do australiano, ainda que admiradores de Assange tenham oferecido 180 mil libras esterlinas (cerca de R$ 480 mil) em troca de sua soltura. O magistrado apressou-se a descartar qualquer ligação com o escândalo do vazamento de mais de 250 mil telegramas do Departamento de Estado dos EUA perpetrado pelo site WikiLeaks. ´Este caso não é sobre o WikiLeaks. É uma acusação, em outro país europeu, de graves crimes sexuais que podem ter ocorrido em três ocasiões distintas, envolvendo duas vítimas`, afirmou. Por enquanto, Assange não foi oficialmente transformado em réu.

Ao recusar o pedido de fiança, Riddle atendeu a um pedido da advogada Gemma Lindfield, representante das autoridades suecas no processo. Ela acusou Assange de ter cometido quatro crimes de natureza sexual. De acordo com Gemma, em 14 de agosto passado, ele ´segurou os braços da ‘senhora A’ energicamente e usou seu peso corporal para segurá-la`. A segunda denúncia sustenta que ele forçou a mesma vítima a manter relações sexuais sem utilizar preservativo. A ´senhora A` teria sido ´deliberadamente molestada` novamente quatro dias depois. O quarto crime envolve ´exploração imprópria` – os autos do processo atestam que Assange fez sexo com a ´senhora W` sem proteção, enquanto ela dormia. Lindfield temia que o ´estilo de vida nômade` do australiano fosse um entrave ao julgamento. Até o fechamento desta edição, a Justiça britânica não havia decidido se o extraditaria à Suécia. Assange promete lutar contra o possível envio a Estocolmo.

(Diário de Pernambuco)