Dele já se disse que iria revolucionar a indústria de conteúdos e transformar para sempre a forma como acedemos à informação. Para alguns portugueses, a julgar pelo primeiro dia de vendas, será também um apetecido presente de Natal. O iPad da Apple chegou ontem finalmente a Portugal, quase um ano depois de ter sido apresentado nos Estados Unidos e sem direito às imensas filas de fãs da marca norte-americana que marcaram o seu lançamento noutros mercados. As vendas, mesmo assim, correram bem.

Nas lojas Fnac, o iPad foi posto à venda online à meia-noite de ontem. À hora do almoço já tinham sido vendidos 300 nas lojas e 100 através do site. As lojas Worten e outros revendedores oficiais da Apple preferiram não divulgar números, mas também não disfarçavam o entusiasmo por finalmente poderem exibir o famoso tablet.

Os preços não são baixos: variam entre os 499 e os 799 euros, dependendo da capacidade de armazenamento – 16, 32 ou 64 gigabytes – e do tipo de ligação à Internet (wi-fi ou 3G). Segundo Sónia Santos, directora de comunicação da Worten, o valor cobrado pelos dispositivos em Portugal é igual ao de outros países – onde já se venderam 4,19 milhões de iPads.

O único lançamento especial, com hora marcada para as 9h00, estava reservado para a Worten do Centro Comercial Colombo, em Lisboa. Aqui, o lançamento do iPad foi feito com um pequeno concurso, em que os participantes tiveram de apresentar, de forma original, as funcionalidades do tablet. Três concorrentes saíram vitoriosos e levaram cada um para casa, de graça, um exemplar. Única condição para concorrer: estarem vestidos com uma camisola preta de gola alta e usarem óculos, qual emulação de Steve Jobs, o patrão da Apple.

“O iPad é a soma de todos os aparelhos”, dizia Vítor Jorge, um dos concorrentes que ganharam um iPad. Mas a tirada mais votada da manhã coube a Naíde Godinho, uma enfermeira de 28 anos: “Pesa pouco, é bonito, inteligente, versátil e tem uma bateria de 10 horas, sem carga. É tudo o que uma mulher deseja num homem”. Sem possibilidades financeiras para comprar um iPad, o concurso foi a forma que encontrou de conseguir um para oferecer ao marido no Natal.

De resto, a possibilidade de ouvir música, ver filmes e fotografias, ler livros, jogar e enviar mensagens num único aparelho foram vantagens apontadas pelos concorrentes. A maioria também sublinhou o carácter prático do tablet, cujas dimensões permitem que seja transportado facilmente e utilizado em qualquer lugar. O mini-computador pesa 680 gramas, tem 13,4 milímetros de espessura e é mais pequeno que uma revista. O ecrã táctil permite a sua manipulação através do contacto dos dedos e os conteúdos são exibidos na vertical ou na horizontal, consoante a posição do iPad.

Viriato Filipe, director de marketing e comunicação da Fnac, diz que o stock de iPads vai permitir responder à procura de todos os clientes. Sobre o facto de só agora chegarem a Portugal, explica-o com base na estratégia da Apple. “É uma questão de hierarquia dos mercados”, afirma, acrescentando que a Apple comercializou o iPad primeiro nos países com um mercado mais atractivo. De acordo com Frederico Rocha, director de comunicação da Apple, o iPad já está também à venda na loja online portuguesa da marca.

(Jornal Público  – Portugal)