Rio de Janeiro, 30 nov (EFE).- Cerca de 70 milhões de brasileiros admitiram ter comprado produtos piratas em 2010, o que supõe que 48% da população adulta do Brasil consome produtos ilegais, de acordo com um balanço apresentado nesta terça-feira pela Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ).

O relatório Pirataria no Brasil, que analisou o comportamento dos consumidores nos últimos cinco anos, anunciou que o número cresceu de 56,4 milhões de compradores de produtos pirata, calculado em 2006, para mais de 70 milhões atuais. 

“A pirataria é uma verdadeira epidemia que se expande por todo Brasil”, lamentou o presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz. 

Diniz apontou que um dos problemas mais graves que as autoridades enfrentam é a falta de consciência dos efeitos negativos da compra dos produtos piratas para eles mesmos e para a sociedade. 

Além de contribuir para o desemprego e para o aumento do trabalho informal, o mercado de produtos falsificados prejudica o comércio legítimo em seu faturamento e contribui para o aumento dos impostos, segundo o líder empresarial. 

Por outro lado, a compra e o uso de mercadorias falsificadas como brinquedos, eletrônicos e cosméticos podem afetar a saúde dos consumidores. 

Para a grande maioria que respondeu a pesquisa (94%), o preço baixo dos produtos falsificados é a principal razão para optarem por versões piratas. 

Nesse sentido, a Fecomércio-RJ afirmou que o aumento do poder aquisitivo de milhões de pessoas que subiram de classe social está diretamente relacionado com o aumento do consumo de produtos piratas. 

De acordo com o relatório, a estimativa de consumo para este ano das classes C, D e E, é de R$ 880 bilhões, grupo que já concentra um poder aquisitivo maior que o das classes A e B, que gastaram R$ 590 bilhões. 

A venda de equipamentos eletrônicos, como DVD, continua sendo um dos negócios que mais sofre prejuízo, embora a porcentagem dos consumidores que afirmaram comprar CD falsificados tenha diminuído de 86% para 79%. 

No entanto, a venda de DVDs pirateados passou de 35% dos consumidores, em 2006, para 77%, em 2010, período no qual venderam 7,2 milhões de gravadores de DVD em todo o país. 

A sétima arte é um dos mercados mais prejudicados pelo rápido avanço das novas tecnologias. 

O cineasta Wagner de Assis, diretor do filme “Nosso Lar” (2010), um dos maiores sucessos de bilheteria do cinema brasileiro, criticou a facilidade para produzir e distribuir cópias livremente na rua, sem represália policial. 

“Não consigo passar pelo centro do Rio de Janeiro sem que alguém me ofereça meu próprio filme por R$3 ou R$4”, lamentou Assis, que acusou a falta de uma legislação severa e pediu apoio das autoridades. 

Para lutar contra o hábito dos consumidores, a Fecomércio-RJ lançará com o Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP) a campanha de conscientização “Quem compra produto pirata, paga com a vida”. 

O presidente do CNCP, Rafael Favetti, afirmou que a luta contra a pirataria só funcionará com a colaboração de todos: sociedade, comércio, Forças de segurança e o Estado, que deve aplicar leis mais duras contra o crime. 

“Aqueles que participam da produção e da distribuição de mercadorias piratas estão colaborando com o crime organizado”, advertiu Favetti.

(Agência EFE)

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