Agência EFE

Rio de Janeiro, 28 nov (EFE).- Uma operação das polícias militar, civil e federal e de homens das Forças Armadas pôs fim neste domingo ao domínio de traficantes no Complexo do Alemão, que quase não ofereceram resistência à ocupação.

A operação contou com blindados e helicópteros e começou por volta das 8h da manhã. Menos de duas horas depois, o comandante-geral da Polícia Militar (PM), coronel Mário Sérgio Duarte, já comemorava o sucesso da ação policial.

“Vencemos. Trouxemos a liberdade à população do Alemão”, disse o comandante, quem ressaltou que, apesar de uma troca de tiros, os traficantes não ofereceram a resistência que eles esperavam.

As operações da Polícia e das Forças Armadas tiveram início na última quinta-feira, com a ocupação da Vila Cruzeiro, na Penha. Com o domínio da favela por policiais e militares, os criminosos abrigaram-se no vizinho Complexo do Alemão.

Blindados Mowag Piranha, da Marinha, e tanques Urutu, do Exército, encarregaram-se de abrir caminho para policiais e militares que tomaram o enorme complexo formado por 15 favelas.

Durante a troca de tiros, um homem que atirou contra os policiais morreu. Com isso, sobe para 36 o número de vítimas fatais das operações policiais no Rio, em sua maioria traficantes.

Após a tomada do Complexo do Alemão, os policiais e militares, apoiados por helicópteros de artilharia, iniciaram uma operação de busca pelos criminosos e por armas e drogas.

Vários criminosos já foram presos e a Polícia apreendeu grandes quantidades de drogas, armas e munição.

Entre os detidos neste domingo está Eliseu Felício de Souza, o “Zeu”, condenado a 23 anos de prisão por ser um dos assassinos do jornalista Tim Lopes, que foi torturado e morto por traficantes em junho de 2002.

Os policiais também descobriram uma mansão construída pelo chefe do tráfico no Alemão, Luciano Martiniano da Silva, conhecido como “Pezão”.

A luxuosa casa, que tem três andares, ar-condicionado central, piscina, banheira de hidromassagem, sauna e uma discoteca privada, estava vazia no momento em que foi ocupada por agentes da Polícia.

Cinco horas após o início da operação, quando o controle da área já estava assegurado, os policiais içaram as bandeiras do Brasil e do Rio de Janeiro sobre a torre de um teleférico em construção para simbolizar a chegada do poder do Estado ao local.

“É um ato simbólico, um primeiro passo”, disse a jornalistas o delegado Rodrigo Oliveira, subchefe da Polícia Civil.

O coronel Duarte ressaltou que apesar de as autoridades terem tomado rapidamente o controle do conjunto de favelas, a operação no Alemão pode durar meses.

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