RIO – O traficante Diego Raimundo da Silva dos Santos, conhecido como Mister M, braço direito do chefe do tráfico no Complexo do Alemão, se entregou na tarde deste sábado à Polícia Militar. Ele já foi levado para a 6ª DP (Cidade Nova).

Mister M era o braço direito de Luciano Martiniano da Silva, o Pezão. Mister M é acusado de, em 2008, ter participado da morte de Antônio Ferreira, o Tota, que até então controlava o tráfico na favela.

Essa foi a segunda baixa importante entre os chefes do tráfico no local. No meio da tarde, a Polícia Civil já havia prendido Edson Souza Barreto, conhecido como Piloto, segurança do traficante Fabiano Atanázio da Silva, o FB, um dos chefes do Complexo do Alemão. No momento da prisão, o traficante segurava uma bandeira com a palavra Paz escrita.

Ainda durante a tarde, o tenente-coronel Waldir Soares Filho, comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, disse que cerca de 15 pessoas foram detidas na Rua Joaquim de Queiroz, entrando ou saindo do Complexo do Alemão. Segundo ele, as pessoas foram revistadas por policiais militares ou agentes do Exército e foram consideradas suspeitas. Elas serão levadas para a 21ª DP (Bonsucesso) para averiguação.

Por volta das 15h50m, o coordenador do AfroReggae, José Junior, anunciou pelo Twitter que começava a acontecer as primeiras rendições de traficantes no Complexo do Alemão. O comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, tenente-coronel Waldir Soares Filho, que também está no Alemão, no entanto, não confirma a informação de rendição, publicada por José Júnior.

No início da tarde, o comandante da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, deu o ultimato aos traficantes do Complexo do Alemão para que se entreguem e baixem as armas. O relações-públicas da Polícia Militar, coronel Lima Castro, informou em entrevista ao RJTV neste sábado que a PM criou uma estrutura na Rua Joaquim Queiroz, esquina com a Estrada do Itararé, no Complexo do Alemão, para que os traficantes se entreguem. (Veja mais fotos da movimentação no Alemão neste sábado)

O comandante do Batalhão de Choque da PM, no entanto, não confirma a informação de rendição, publicada por José Júnior.

– Já existe um esquema para que essas pessoas se entreguem. É uma oportunidade que a gente está dando – disse Lima Castro. Não vamos recuar da decisão de pacificar o Rio. – Estamos chegando aos momentos finais para alcançar os traficantes que estão no Alemão – acrescentou.

De acordo com ele, a rendição será feita da maneira como foi determinada pelo comandante-geral da PM, Mário Sérgio Duarte. Em caso de rendição, os traficantes chegarão com os fuzis sobre a cabeça, entregarão as armas e serão revistados. A Rua Joaquim Queiroz fica próximo à Estrada do Itararé.

Por volta do meio-dia deste sábado, o coordenador da ONG AfroReggae, José Júnior, chegou ao Complexo do Alemão com mais cinco pessoas, para conversar com traficantes. Momentos após Júnior subir o Alemão pela Rua Joaquim Queiroz, sem o acompanhamento de policiais, traficantes efetuaram vários disparos do alto do morro. Houve correria e pessoas que passavam pela Avenida Itararé procuraram abrigo.

De acordo com o comandante da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, a polícia não voltará atrás na operação e tem equipamentos suficientes para entrar no Complexo do Alemão para tomar o território. Mário Sérgio alertou os moradores da área para que não saiam de casa e procurem se abrigar no momento em que a polícia entrar na comunidade.

– A população de bem, nós queremos protegê-los, sem causar danos. Pedimos para a população se manter abrigada e não sair nas ruas. Quem transitar nas ruas e vielas vai ficar sob o risco de fogo – disse o comandante.

Após o pedido do comandante, cerca de 50 famílias deixaram o morro. São famílias inteiras, que levaram bolsas, travesseiros, ventiladores e até cachorro. Sem se identificar, eles dizem que estão saindo do morro por causa da guerra.

Desde segunda-feira, 74 pessoas foram presas, 123 detidas e 35 mortas em todo o Estado do Rio. Foram apreendidos 46 revólveres e 11 fuzis.

(O Globo)

Anúncios