O Rio viveu mais uma madrugada de terror, causada por bandidos que incendiaram carros e ônibus em diversos pontos do Estado. De meia-noite até as 6h15 desta sexta-feira, sete carros e um ônibus foram atacados e um homem que se preparava para atear fogo em veículos em Madureira, na zona norte, foi ferido e levado para um hospital. Foi a quinta madrugada seguida de terror no Estado.

Ônibus é incendiado na Presidente Vargas, no Centro do Rio Foto: / Gustavo Matos

Pouco antes do amanhecer, três carros foram queimados em Campos dos Goytacases, no Norte fluminense, em Nilópolis e em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Segundo os bombeiros, ninguém ficou ferido nos ataques.

Por volta das 5h30, um ônibus foi incendiado na rodovia Presidente Dutra, na altura do Km 164, no Jardim América. Segundo a Polícia Militar, o coletivo estava circulando na pista lateral da rodovia, sentido São Paulo. Não há informações sobre feridos.

Mais cedo, bombeiros do Quartel de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, foram chamados para controlar as chamas em uma Kombi no bairro Colubandê. Segundo a polícia, criminosos incendiaram o veículo, que estava estacionado na rua Joá. Ninguém ficou ferido.

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Por volta das 2h30, um carro foi incendiado na rua Farme de Amoedo, uma das mais movimentadas de Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro. Bombeiros do Quartel de Copacabana foram para o local e conseguiram controlar as chamas. A Polícia Militar fez buscas no bairro à procura dos autores do crime. Segundo os Bombeiros, o carro ficou parcialmente destruído e ninguém ficou ferido.

Já por volta de 1h, mais um veículo foi incendiado na Baixada Fluminense. Segundo a Polícia Militar, o carro foi atacado por bandidos na rua José Veríssimo, em Duque de Caxias.

Também no início da madrugada, o Corpo de Bombeiros confirmou que um carro foi incendiado na avenida Brasil, na altura do mercado São Sebastião, na Penha, na zona norte da capital. Não há informações sobre vítimas em nenhum dos dois ataques.

Noite de quinta também registrou ataques

Bandidos armados incendiaram dois carros nesta quinta-feira (25) na estrada Grajaú-Jacarepaguá, na pista em direção à zona oeste. Os dois sentidos da via foram fechados para os motoristas que trafegavam naquela região. Ninguém ficou ferido. De acordo com o 6º BPM (Tijuca), policiais militares fazem buscas nas favelas da região na tentativa de encontrar os autores do ataque.

Três ônibus também foram incendiados nesta noite. Um foi atacado na avenida Presidente Vargas, no Centro. Os outros ataques foram em São Cristóvão, na zona norte do Rio de Janeiro e em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Um dos coletivos foi atacado em frente ao prédio do Detran, na avenida Presidente Vargas. A PM recebeu informações de que outro ônibus tinha sido queimado no largo da Carioca, no mesmo bairro, mas a denúncia não foi confirmada.

O outro veículo foi incendiado na rua General Almério de Moura, em São Cristóvão, em frente ao estádio do Clube de Regatas Vasco da Gama.

Um microônibus foi atacado na rodovia Washington Luís, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, nas proximidades da favela Beira-Mar, por volta das 20h30.

Segundo testemunhas, um Gol prata interceptou o coletivo. Os ocupantes do carro mandaram os passageiros descerem e atearam fogo no ônibus. O ataque ocorreu na pista lateral, sentido Juiz de Fora.

No Jardim América, também na zona norte da capital, um caminhão foi incendiado na rua Jornalista Geraldo Rocha. Outro caminhão foi queimado na rua Lopo Diniz, em Irajá, na mesma região.

Coletiva Secretário de Segurança

De acordo com o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, o governo não tem previsão para instalar uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) na Vila Cruzeiro, onde a polícia conseguiu entrar nesta quinta-feira após três dias de conflitos na área.

Beltrame também disse que as ações no complexo de favelas da Penha continuam nesta sexta-feira (26). Segundo ele, criminosos detidos em presídios enviam mensagens para todo o Estado por meio de bandidos da Vila Cruzeiro. Além disso, o secretário disse que o helicóptero blindado da PM, que poderia auxiliar as ações desta quinta, estava em manutenção.

De acordo com o balanço divulgado pela Polícia Militar do Rio de Janeiro na noite desta quinta-feira (25), desde a última segunda-feira (22), 32 pessoas morreram em operações para prender suspeitos de participar dos ataques que ocorrem na região metropolitana fluminense.

Balanço da PM

A corporação informou que entre domingo (21) e as 21h desta quinta 73 veículos foram incendiados, sendo 32 só hoje. Desde segunda-feira, foram 12 ônibus, dois caminhões, duas motocicletas e duas vans.

A PM disse que 108 pessoas foram presas ou detidas, 44 armas foram recolhidas, seis granadas foram apreendidas. Três policiais ficaram feridos.

Quinto dia dos ataques

Nesta quinta-feira (25), a Polícia Militar concentrou a operação na Vila Cruzeiro, na Penha, zona norte da cidade. A ação foi liderada pelo Bope (Batalhão de Operações Especiais) com o apoio da Marinha do Brasil, com nove blindados.

Durante a operação, um dos blindados foi atingido por tiros e foi levado para o batalhão de Olaria (16ª BPM). Por volta das 15h, vários bandidos fugiram da Vila Cruzeiro em direção ao Complexo do Alemão.

Em vários bairros da cidade o comércio fechou cedo. Muitas empresas liberaram os funcionários antes do horário, pois o transporte de ônibus está reduzido durante a noite. Os colégios não funcionaram.

A Secretaria Estadual de Saúde informou que reforçou o atendimento na emergência do hospital Getúlio Vargas, na Penha. Médicos foram deslocados para a unidade para atender os feridos da operação na Vila Cruzeiro.

Avaliação dos especialistas

De acordo com especialistas, os ataques no Rio de Janeiro são coordenados e estavam previstos para acontecer. Segundo o sociólogo e especialista em violência Gláucio Soares, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp/UERJ), a reação das organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas, que vêm promovendo uma onda de ataques incendiando veículos no Rio de Janeiro, já era esperada depois que o governo estadual começou a ocupar comunidades em que esses grupos atuavam, com a implantação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora).

(Portal R7)