O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reafirmou nesta quarta-feira (24) que a instituição agiu de forma correta no processo de recuperação do Banco Panamericano, de propriedade do Grupo Silvio Santos.

O banco teve de ser socorrido com um empréstimo de R$ 2,5 bilhões Fundo Garantidor de Crédito, entidade privada mantido pelos bancos como prevenção os correntistas, poupadores e investidores, depois que o próprio BC detectou fraude nos balanços internos.

O banco mantinha em seus balanços carteiras de crédito (direito de receber pagamento de empréstimos) já vendidas a outras instituições financeiras.

– A área de supervisão do Banco Central agiu a tempo e a hora, identificou a inconsistência nos registros contábeis, determinou aos responsáveis legais a imediata recomposição da situação, solução foi implementada sem prejudicar os depositantes, investidores. Não houve crise bancária e danos a outras instituições financeiras. Não houve dispêndio [quando o governo precisa colocar dinheiro] de recursos públicos e a atuação do BC ocorreu em prazos regulamentares.

Na tarde desta quarta-feira Meirelles presta esclarecimentos sobre o episódio no Senado ao lado da presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho.

Ela também defendeu o processo de compra das ações do Panamericano, realizada no ano passado, antes de verificado o rombo no caixa do banco. Meirelles citou resoluções do BC que desobrigam o banco de realizar auditorias para verificar os balanços internos dos bancos privados.

Na sabatina, os senadores questionaram se houve interferência política na compra do banco, já que Silvio Santos havia se reunido com o presidente Lula no final de setembro, antes das eleições, quando o caso não havia sido revelado. A presidente da Caixa afirmou desconhecer sobre o conteúdo da conversa entre Lula e Silvio Santos, que já negaram ter tratado do assunto. A executiva disse ainda que não houve interferência do ex-ministro Luiz Gushiken nas negociações.

Mais cedo, a presidente da Caixa defendeu a aquisição afirmando que o banco tem um plano de negócios em sintonia com a atuação do Panamericano – em oferecer crédito à baixa renda e às micro e pequenas.

(Portal R7)

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