Os bancários têm tido uma participação ativa na luta contra a discriminação. “A cobrança por igualdade de oportunidades vem sendo há anos uma importante reivindicação nas campanhas salariais e nas negociações específicas, desde que a CNB-CUT (a já extinta Confederação Nacional dos Bancários) publicou, em 2001, a cartilha ‘Os rostos dos bancários’” , lembra o presidente do Sindicato, Almir Aguiar. Tomando como base uma pesquisa do Dieese, a publicação comprovava a existência da discriminação nos bancos em relação aos negros, mulheres e portadores de deficiências.

O dirigente frisa que mesmo com o resultado do levantamento, os bancos se negaram a admitir a existência da discriminação e, como conseqüência, da inclusão de uma cláusula prevendo um programa que tivesse como objetivo a igualdade de oportunidades. Mas devido à insistência dos bancários e da entrada em cena do Ministério Público do Trabalho, em 2008 os bancos concordaram em realizar uma pesquisa conjunta sobre o tema, conhecida como o Mapa da Diversidade.

O que mostrou a pesquisa

Entre outras injustiças cometidas pelos bancos, o levantamento mostrou que apenas 19% dos bancários são negros; enquanto o conjunto dos trabalhadores no Brasil com carteira assinada chega a 35,5%; e somente 4,8% dos postos de diretoria e superintendência e 14,9% das gerências são ocupados por negros. O estudo comprovou também que os bancários negros recebem em média 84,1% do valor do salário dos brancos, sendo as bancárias negras ainda mais discriminadas.

Por causa da pressão dos sindicatos, e a partir da publicação desses dados, os bancários conquistaram uma cláusula na Convenção Coletiva de Trabalho instituindo mesa temática sobre igualdade de oportunidades e a Febraban instituiu um programa de valorização da diversidade, com o objetivo de combater a discriminação e promover a busca de direitos iguais para todos. Mas é preciso continuar pressionando e  avançar mais para acabar de uma vez com as discriminações.

Almir Aguiar – Presidente do SEEB Rio)