O Banco do Brasil deve, até fim deste ano, adquirir uma instituição nos EUA. A compra encontra-se em negociação e já recebeu um parecer favorável do regulador americano, o Federal Reserve (Fed). A busca da instituição brasileira é por adquirir uma outra geograficamente próxima às comunidades de brasileiros que vivem no país, mesmo que não seja de grande porte. Sem revelar o nome do banco, o vice-presidente de Finanças, Mercado de Capitais e Relações com Investidores da instituição, Ivan de Souza Monteiro destacou nesta terça-feira que o alvo já foi identificado e tem rede de agências nos principais pontos onde estão concentrados os imigrantes brasileiros que moram no país.

– As perspectivas da negociação nos EUA estão ao indo bem. A oferta de bancos lá é grande. Analisamos um conjunto de bancos e escolhemos e que tem atuação na região onde há mais concentração de brasileiros – afirmou.

Ele lembrou que foram avaliados outros bancos nos EUA, antes de se focar na opção atual. De acordo com Monteiro, caso seja concretizado, o valor da operação deve ser bem menor que desembolsado na aquisição do Banco Patagonia, na Argentina, que totalizou US$ 479,6 milhões. As informações foram dadas durante a apresentação dos resultados do banco.

Monteiro destacou ainda que o banco manterá sua estratégia de aquisição de carteiras de instituições menores. A compra de carteiras responde por cerca de 5% dos ativos de crédito do banco.

– O Banco do Brasil compra e vai continuar comprando carteiras – disse Monteiro, ao explicar que o banco tem metodologia rígida para avaliar essas operações antes de adquiri-las. A instituição detém carteiras adquiridas do Panamericano, mas a participação desses ativos é muito reduzida, respondendo por 5% das carteiras adquiridas. Ao ser questionado, Monteiro reforçou que não há interesse em adquirir a parte do Panamericano pertencente ao empresário Sílvio Santos.

O crescimento da carteira de crédito do BB perdeu força no terceiro trimestre diante do aumento da competitividade do setor financeiro.

– Houve um aumento da competição. Os bancos estão tentando retomar o market share que perderam durante a crise financeira – explicou Monteiro. A carteira de crédito em conceito ampliado, que incluiu garantias prestadas e os títulos e valores mobiliários privados, atingiu R$ 365,1 bilhões no período, crescimento de 4,4% na comparação com o segundo trimestre deste ano e de 21,1% em 12 meses. Entre abril e junho, o banco tinha registrado aumento de 6,8% em bases trimestrais de comparação.

Monteiro lembrou que o segmento de micro e pequenas empresas é o que apresenta maior competição. No comparativo 12 meses, o crescimento do BB neste segmento ficou abaixo dos principais competidores privados, que na média tiveram evolução de 30%. O segmento fechou setembro com saldo de R$ 48,5 bilhões, incremento de 17,8% em 12 meses e de 2,4% na comparação com o segundo trimestre do ano. A carteira de crédito no segmento de pessoas jurídicas totalizou R$ 140,5 bilhões em setembro, o que representou um crescimento de 3,6% sobre junho. O saldo da carteira de crédito do agronegócio atingiu R$ 74 bilhões, um crescimento de 8,7% em 12 meses.

Já o crédito para as pessoas físicas atingiu R$ 107,4 bilhões ao final do terceiro trimestre, aumento de 6,2% ante o segundo trimestre e 25% em 12 meses. O incremento foi puxado por linhas como o crédito consignado, veículos e o financiamento ao consumo. O crédito consignado, por exemplo, atingiu R$ 42,2 bilhões, expansão de 24,2% em 12 meses. O financiamento de veículos aumentou 11,1% na comparação com o trimestre anterior. O crédito imobiliário também foi um dos principais destaques de crescimento na carteira de crédito do BB no terceiro trimestre deste ano. A expansão foi de 90% na comparação com o mesmo período do ano passado, com saldo de R$ 2,5 bilhões,

Inadimplência – As taxas de inadimplência do BB apresentaram queda no terceiro trimestre. Considerando o indicador para atrasos acima de 90 dias, a taxa total fechou setembro em 2,7%, abaixo dos 3,4% do mesmo período do ano passado e estável em relação ao segundo trimestre deste ano.

– Tivemos uma melhora na qualidade da carteira e o cenário continua positivo – constatou Monteiro. Esta retração permitiu ao BB reduzir as despesas para devedores duvidosos (PDD), que somaram R$ 2,6 bilhões no trimestre, queda de 9,5% ante o mesmo período do ano anterior. Já no período de janeiro a setembro as despesas caíram 14,7% e somaram R$ 8,1 bilhões. O saldo das provisões para devedores duvidosos encerrou o trimestre em R$ 18,1 bilhões. O BB também reduziu suas projeções de despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa. As novas estimativas da instituição para o ano de 2010 apontam para o intervalo de 3,7% a 3,9% sobre a carteira total de crédito. As projeções anteriores apontavam para um intervalo de 4,4% a 4,8%.

Resultados – O incremento do crédito levou o BB a registrar um lucro líquido de R$ 2,625 bilhões no terceiro trimestre de 2010, alta de 32,7% na comparação com igual intervalo do ano passado e uma queda de 3,7% na comparação com o segundo trimestre deste ano. Além do maior volume de crédito, contribuíram para o resultado, o aumento da receita com prestação de serviços e da contabilização de ganhos atuariais do fundo de pensão dos funcionários do BB, a Previ. Levando em consideração os efeitos extraordinários, o resultado da instituição somou R$ 2,578 bilhões no terceiro trimestre, alta de 46,1% na comparação com o mesmo período de 2009. O resultado acumulado nos nove primeiros meses deste ano foi de R$ 7,7 bilhões, evolução de 28,5% na comparação com igual intervalo de 2009. O retorno patrimonial do banco foi de 26,2%, mesmo nível do terceiro trimestre do ano passado.

– O resultado do BB veio melhor do que as expectativas do consenso dos analistas, favorecido principalmente pela queda na PDD e também pela redução na carga tributária do período. Importante ressaltar que o banco vem cumprindo o guidance proposto para o ano. Continuamos otimistas com o BB, principalmente pelo desconto de múltiplos em relação à média do setor financeiro, o P/L projetado para 2011 de acordo com o consenso da Bloomberg está em 9x, abaixo da média dos pares de 11x – diz o analista da Spinelli Corretora, Daniel Malheiros.

O BB terminou o terceiro trimestre com ativos totais de R$ 796,8 bilhões, expansão de 16% ante setembro de 2009. Com esse montante, o banco público se consolida na posição de maior instituição financeira do Brasil e da América Latina. Com a oferta de ações concluída em julho, o banco melhorou seu índice de Basiléia, indicador que mede quanto o banco pode crescer no crédito sem comprometer seu capital próprio. O índice fechou setembro em 14,2%, acima dos 12,8% do segundo trimestre deste ano e dos 13% dos meses de julho a setembro de 2009.

(Monitor Mercantil)

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