Apesar de partidos aliados da presidente eleita Dilma Rousseff (PT) negarem que já estejam de olho em cargos do Governo, o clima de especulação sobre o futuro das pastas chegou aos corredores dos principais órgãos federais no Ceará: Banco do Nordeste (BNB) e Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). A atmosfera de incertezas é comum às duas entidades; o nível de tensão diante da perspectiva de mudanças, no entanto, parece ter atingido com mais força apenas uma delas.

De acordo com três servidores do Dnocs ouvidos pelo O POVO, a informação de que o Governo Dilma estaria disposto a criar uma estatal para gerenciar a transposição do Rio São Francisco tem causado preocupação. “Se isso acontecer, saímos perdendo”, lamentou uma funcionária, que pediu para não ter a identidade divulgada. Ao lembrar que a gestão das águas do Semi-Árido faz parte das atribuições Dnocs, ela se disse “preocupada” com o destino que o Executivo poderá dar ao órgão.

Atualmente, o Departamento é controlado pelo PMDB do deputado federal potiguar Henrique Eduardo Alves, que indicou para a diretoria-geral o engenheiro Elias Fernandes. A diretoria de Infraestrutura Hídrica, por sua vez, é comandada pela também engenheira Cristiane Peleteiro, apadrinhada do ex-ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA).

BNB

A promessa de “continuidade” anunciada por Dilma parece ter injetado menos doses de adrenalina no BNB. Apesar da “dança das cadeiras” pela qual o órgão poderá passar, funcionários com o qual O POVO teve contato disseram acreditar que, mesmo que os postos estratégicos mudem de dono, não deverá haver grandes transformações na linha da administração.

O Banco faz parte da cota do PT do Ceará na administração federal, sendo representado pelo economista Roberto Smith, presidente do BNB. Nos bastidores, surge a informação de que o PT baiano pode reivindicar o posto. O governador eleito da Bahia, Jacques Wagner, é amigo pessoal do chefe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de quem ele foi ministro do Trabalho e Emprego.

Especula-se, ainda, que a vaga de Smith pode acabar ficando com o PSB, que elegeu três governadores do Nordeste – dentre eles, o do Ceará, Cid Gomes, que está em alta no Palácio do Planalto após ter ajudado a garantir quase 80% dos votos do Estado para a eleição de Dilma.

Além da presidência, o BNB tem outras seis diretorias principais – quatro preenchidas por funcionários com pelo menos 25 anos de atuação no órgão. “É claro que, em uma transição, todos ficam apreensivos. Mas o clima estaria pior se Dilma tivesse perdido. Seriam mudanças mais profundas”, explicou uma sindicalista.

ENTENDA A NOTÍCIA

Quando a oposição ganha a eleição, o período de transição significa despedida nos cargos comissionados. Quando há continuidade, o momento é de tensão. As chances de ficar são maiores, mas a incerteza é permanente, pois é hora de os partidos aliadores reivindicarem mais cargos.

(O Povo Online)

 

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