A promessa de ser oposição ao Governo Cid Gomes (PSDB), que partiu da cúpula do PSDB pouco tempo depois do resultado das eleições no primeiro turno, parece ter criado um racha, ainda velado, na bancada tucana reeleita, formada por oito deputados. Uns querem fazer oposição, enquanto outros estão mais dispostos a deixar como está.

“A gente passa três anos e meio dizendo que o Cid é bom e agora não deve mais acreditar no que ele diz?”, reclamou um deputado, que não quis ser identificado. Assim como outro, que garantiu, que houver brecha na lei, o PSDB deve ficar com, no máximo, três deputados.

A lei eleitoral atual prevê que o mandato pertence ao partido. Caso o parlamentar deixe a legenda, perde o mandato, o que inibe as saídas.

Alguns tucanos mais próximos do Governo, inclusive prefeitos, se dizem “perseguidos”, após o embate presidencial entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), sob a acusação de que teriam pedido voto para a petista.

“Perseguição” é uma das justificativas previstas na lei para que políticos deixem a legenda sem perder o mandato. O presidente do PSDB, Marco Penaforte, chegou a dizer que quem não apoiasse Serra seria expulso do partido.

Durante a campanha, o líder tucano na Assembleia, João Jaime, antecipou que a bancada faria oposição. Mas, com o passar do tempo, as críticas do deputado Fernando Hugo (PSDB) voltaram a ser direcionadas à prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), como durante maior parte da primeira gestão de Cid, quando o PSDB era oficialmente governo.

O tucano está na cota dos mais propensos a ser oposição. “Nós só éramos aliados na hora de votar com o Governo. Mas para decisões administrativas, nós nunca fomos consultados” , afirmou Hugo. O deputado Gony Arruda (PSDB) disse que a bancada nem discutiu isso. “Temos que nos reunir”.

Mal estar

Citado entre os mais próximos do Governo, Osmar Baquit (PSDB), garantiu que não há ninguém que diga que ele votou em Dilma. “Tanto que, em Quixadá, a votação do Serra até aumentou”, disse, em relação ao seu reduto político. Os deputados Teo Menezes (PSDB) e Professor Teodoro (PSDB) também são considerados cidistas entre tucanos. 

ENTENDA A NOTÍCIA
Após romper com o governo Cid Gomes, O PSDB, liderado pelo senador Tasso Jereissati, lança Marcos Cals ao Governo, sob promessa de fazer oposição. Passada a eleição, a decisão não é unânime 

Giselle Dutra – O Povo

Anúncios