A Polícia Federal (PF) prendeu hoje (9), durante a Operação Trem Fantasma, 23 pessoas acusadas de participar de uma quadrilha internacional especializada em desviar mercadorias que chegavam ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Segundo a PF, cerca de 80 toneladas de produtos foram desviados pelo grupo, provocando para os cofres públicos um prejuízo estimado em R$ 50 milhões. Até o momento, a PF apreendeu US$ 1 milhão em espécie.

Desde de manhã, policiais federais estão cumpridos 29 mandados de prisão preventiva e 44 mandados de busca em São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. Durante a operação, 11 pessoas já haviam sido presas. Entre elas, estavam um policial federal e outro policial federal aposentado, ambos do Rio de Janeiro. Duas delas chegaram a ser liberadas pela polícia, mas foram presas novamente hoje.

A quadrilha é investigada há um ano pela PF, em parceria com a Receita Federal e com apoio da ICE (U. S. Immigration and Customs Enforcement), agência do governo dos Estados Unidos responsável pela imigração. O esquema contava com a participação de empresários, despachantes aduaneiros, empregados de companhias aéreas, servidores públicos e funcionários do aeroporto.

De acordo com o chefe de escritório da Corregedoria da Receita Federal em São Paulo, Guilherme Bibiani Filho, o grupo desviava a carga – produtos eletrônicos, como notebooks, e outras mercadorias de alto valor, vindas principalmente de Miami (EUA) e da China – ainda na pista do aeroporto.

A quadrilha levava dois caminhões para o aeroporto. Um deles já tinha carga com peso e volume parecidos com aquela [carga] que estava chegando do exterior. “Só que essa carga falsa era composta de gabinetes de computador, coolers e produtos de baixo valor, sem interesse comercial”, disse Bibiani Filho. Depois, a carga falsa era trocada pela de maior valor, que era desviada sem que autoridades soubessem.

O grupo também fazia a substituição do regime tributário das cargas no regime de trânsito internacional. Assim, uma carga que estivesse vindo da China com destino ao Paraguai era desviada quando passava pelo Brasil e nunca chegava ao posto de destino, o Paraguai.

Caso comprovada a participação dos suspeitos no esquema, eles devem responder pelos crimes de contrabando e descaminho, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e crime contra a ordem tributária.

(Diário de Pernambuco)