Rio – Um erro na impressão dos cartões-resposta no primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) poderá levar, pelo segundo ano seguido, à anulação da prova na Justiça. A Defensoria Pública da União vai pedir ao Ministério da Educação (MEC) um novo exame para substituir o que foi aplicado neste sábado a 3,3 milhões de estudantes em todo o País. O problema só foi percebido durante a prova e causou muita confusão entre os estudantes. Dos 4,6 milhões de candidatos, 27% faltaram.

No caderno de prova, os alunos tinham que responder, em primeiro lugar, as questões de Ciências Humanas, numeradas de 1 a 45. Depois, vinham as perguntas de Ciências da Natureza, entre os números 46 e 90. No cabeçalho do cartão-resposta, porém, a ordem estava invertida. “O fiscal disse para responder a 1 na 46, e a 46 na 1. Como já tinha preenchido, tive que rasurar com corretor líquido dado pelo fiscal”, conta a estudante Lúcia, que tenta vaga em Gastronomia na UFRJ, o curso mais concorrido da universidade este ano.

Falha na impressão

O Inep, responsável pela aplicação das provas, informou que o problema, de impressão gráfica, aconteceu em todo o País e que os fiscais foram orientados a passar a informação para os estudantes ignorarem o que estava escrito no cabeçalho do cartão-resposta. “O fiscal mandou inverter. Dez minutos depois voltou correndo dizendo para seguir a numeração e ignorar o cabeçalho. Eu deixei tudo invertido”, contou Vitor Alves, 17 anos. A estudante Marcela Dias, 19, percebeu a falha no início da prova e seguiu a orientação do MEC. “É um absurdo deixar passar um erro deste tamanho e um transtorno para quem estudou um ano inteiro”, criticou.

O MEC disse que a correção das provas vai considerar o número de cada questão, independentemente da informação no cabeçalho. O ministro Fernando Haddad garantiu que não há erro no cartão-resposta da prova que será aplicado hoje a partir das 13h.

O defensor público federal André Ordacgy vai aguardar o término do exame para enviar ofício ao MEC cobrando explicações. “Uma vez constatada a irregularidade, cabe ação civil pública para pedir a anulação do exame. Mas se o problema não se repetir hoje, então vamos pedir que seja reaplicado apenas a prova de sábado”, diz. O defensor orienta os estudantes a procurar o órgão para formalizar a queixa. Em São Paulo, a procuradora da República Maria Luiza Grabner, do Ministério Público Federal, disse que a representação dos candidatos poderá servir de base para uma ação civil coletiva contra o MEC.

MEC revisará respostas trocadas

Estudantes que preencheram de forma invertida o cartão-resposta poderão entrar com requerimento no site do Enem esta semana. Basta pedir para que sua prova seja corrigida de forma inversa, ou seja, considerando as questões de 1 a 45 como Ciências da Natureza e as de 46 a 90 como Ciências Humanas. A queixa pode ser feita também por aqueles que receberam provas amarelas com questões repetidas ou com erro na numeração.

RELEMBRE: Há 1 ano, fraude e anulação

Não foi a primeira vez em que estudantes enfrentam problemas no Enem. Em 2009, a prova vazou e foi adiada 2 dias antes de ser aplicada, em outubro. Alunos fizeram a nova prova só em dezembro. A confusão prejudicou 4,1 milhões de pessoas.

O exame foi furtado da gráfica por segurança com ajuda de 2 pessoas. Eles tentaram vendê-lo por R$ 500 mil a jornalista, que recusou e denunciou o caso ao MEC.

Em agosto, outra dor de cabeça. Falha no sistema do Inep permitiu o acesso a dados pessoais, como nome, RG e CPF na Internet de quem prestou o exame em 2007, 2008 e 2009.

(O Dia Online)