O Ministério Público Federal em São Paulo moveu nesta quinta-feira (4) uma ação contra o militar Maurício Lopes Lima, identificado como torturador da presidente eleita Dilma Rousseff durante a ditadura. A ação do MPF acusa ainda os militares reformados das Forças Armadas Homero Cesar Machado, Innocencio Fabricio de Mattos Beltrão e o capitão reformado da PM de São Paulo, João Thomaz.

O relato de Dilma, que foi registrado pela Arquidiocese de São Paulo no Projeto “Brasil Nunca Mais” a partir do depoimento prestado à Auditoria Militar em 1970, aponta que a militante conhecia o torturador da Operação Bandeirantes (Oban) Maurício Lopes Lima. A Oban era uma repartição que praticava a repressão política estadual e federal, até então disperso entre as Forças Armadas e as polícias civis, militares e federal.

Em um dos trechos do depoimento de Dilma na época – e usado pelo MPF -consta: “na semana passada, dois elementos da equipe chefiada pelo Cap. Maurício compareceram ao presídio Tiradentes e ameaçaram a interroganda de novas sevícias, ocasião em que perguntou-lhes se estavam autorizados pelo Poder Judiciário e recebeu como resposta o seguinte: ‘você vai ver o que é o Juiz lá na OB’; (…) que ainda reafirma que mesmo no DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) foi seviciada; (…).”.

De acordo com nota divulgada no site do Ministério Público Federal, os quatro são acusados de “mortes ou desaparecimentos forçados de pelo menos seis pessoas, além de tortura contra outras 20 pessoas, todas detidas pela Operação Bandeirante, a Oban, criada e coordenada pelo Comando do II Exército em 1969 e 1970, auge da repressão”.

A ação recomenda que os réus sejam condenados a arcar com indenização à sociedade, além de ter suas aposentadorias cassadas e que ajudem a cobrir os gastos da União com indenização para as vítimas.

São relatados na ação 15 episódios de violência estatal, entre eles “os casos de Frei Tito, que se suicidaria quatro anos depois por sequelas da tortura, e da presidente eleita Dilma Rousseff, presa e torturada em 1970”.

O documento é assinado pelo procurador regional da República Marlon Alberto Weichert e os procuradores da República Eugênia Augusta Gonzaga, Jefferson Aparecido Dias, Luiz Costa, Adriana da Silva Fernandes e Sergio Gardenghi Suiama.

A presidente da República eleita, Dilma Rousseff (PT), foi presa e torturada em 1970 por subversão, quando tinha 23 anos. Três anos depois, conseguiu sua liberdade na Justiça e decidiu recomeçar a vida em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

(Portal Terra)

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