Quase 20 milhões de eleitores brasileiros (14,34% do total) terão, neste domingo, que demorar um tempinho a mais dentro da cabine eletrônica de votação. São os moradores de oito estados e do Distrito Federal que, além de escolher o próximo Presidente da República, terão a obrigatória tarefa de votar para governador.

O Rio de Janeiro está fora dessa lista. No último dia 3, o eleitor fluminense deu votos suficientes (66,08% dos válidos) ao governador Sérgio Cabral que o reelegeram ainda no primeiro turno. Mas, nos estados de Alagoas, Amapá, Goiás, Pará, Paraíba, Piauí, Rondônia, Roraima e no Distrito Federal, o tira-teima ficou para este domingo, data do segundo turno das eleições.

E, a exemplo da disputa presidencial, está faltando finesse. Os concorrentes nas esferas estaduais vêm promovendo um show de agressões e xingamentos nas últimas quatro semanas. Os ânimos ficaram acirrados ao ponto de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter autorizado o envio de tropas federais para Piauí, Alagoas, Rondônia, Paraíba, Amapá e Pará.

Em Alagoas, o exemplo mais consagrador da baixaria eleitoral. Lá, Teotônio Vilela Filho (PSDB), atual governador, e Ronaldo Lessa (PDT) disputam o governo e — num campeonato à parte — qual campanha consegue ser mais agressiva, sempre com o auxílio luxuoso do candidato derrotado no primeiro turno, Fernando Collor (PTB). Os colloridos apoiam Lessa. Isso, a despeito de Collor e o pedetista terem sido inimigos políticos ferrenhos desde 1986.

É até difícil acompanhar a ciranda de xingamentos. Num debate do último dia 28, Lessa chamou Vilela de “mentiroso”, que usa “dinheiro sujo”; Vilela retribuiu a gentileza chamando Lessa de “autista”, que vive no “mundo da lua”. No meio da campanha, Collor também inseriu algumas expressões de seu vasto e conhecido vocabulário, chamando Vilela de “esse governador incompetente, salafrário e mentiroso”.

Já no DF, as agressões ganharam um ingrediente cômico. Após a renúncia do marido, Joaquim Roriz, ainda no primeiro turno, Weslian Roriz (PSC) foi sacada de algum lugar do mundo para dispututar com o petista Agnelo Queiroz. Nos debates, ela cometeu gafes que viraram hits na internet. Entre elas, chamou Agnelo de “nosso governador”.

(Extra Online)