Jovens de 13 a 19 anos estão na mira da próxima campanha de combate à Aids do governo federal. O Ministério da Saúde já estuda a possibilidade de esse ser o foco da iniciativa, que será lançada em 1º de dezembro, quando é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra a Aids.

Mesmo diante de uma enxurrada de informações, acesso à internet e camisinhas gratuitas, muitos jovens abandonam o preservativo na hora da relação sexual. E isso está refletindo no aumento das taxas de infecção pelo vírus HIV no Brasil entre os adolescentes de 13 a 19 anos.

Em 2006, de acordo com dados do boletim epidemiológico do Ministério, as taxas de incidência da doença, principalmente entre os meninos, começaram a subir. Naquele ano, o índice era de 1,7 infectado para cada 100 mil habitantes no país. No ano seguinte, subiu para 1,9 e, em 2008, aumentou para 2,2. Os dados de 2009 ainda estão sendo compilados e só devem ser divulgados em dezembro.

De acordo com o diretor adjunto do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Eduardo Barbosa, os dados são preocupantes, principalmente por se tratar de uma população que está em plena vida social e sexual.

– Possivelmente a nossa campanha vai enfatizar essa população, mas ainda estamos trabalhando para definir qual será o tom.

Na porta de uma escola de Belo Horizonte, os jovens confirmam que têm muito acesso à informação sobre a Aids, no entanto, confessam que, quando um relacionamento começa a ficar sério, o preservativo é deixado de lado. Entre os meninos, quando questionados se usam a camisinha em todas as relações, eles riem e dizem que “de vez em quando não”. 

Victor Figueiredo, de 18 anos, diz que “as meninas até pedem para usar, menos no Carnaval, quando não ligam muito”. Já Marcos Vinícius Severino, também de 18 anos, diz que namora há três anos e agora “não é sempre” que ele usa camisinha.

É neste pensamento que está o problema, segundo a psicóloga e educadora sexual Cida Lopes.

Vemos que, quando o relacionamento está começando, eles usam, mas depois tiram, como se não precisasse mais. Eles pensam: “ela gosta de mim, confiamos um no outro e não tem perigo”, e acham que estão imunes. É aí que está o risco.

Barbosa concorda e diz que os jovens adotam a postura de usar o preservativo nas primeiras relações, mas à medida em que o relacionamento fica mais consistente eles abandonam o uso.

– O nosso desafio é fazer com que a camisinha passe a ter um outro olhar, não medicamentosa, mas de sensualidade, para ser incorporada ao cotidiano.

De acordo com dados da Secretaria de Saúde de Minas Gerais, nas idades entre 15 e 19 anos, foram notificados 26 casos novos da doença no Estado. Em 2007, foram 20 casos e, em 2008 e 2009, surgiram mais 38 casos de Aids, sendo 19 em cada ano.

Para o coordenador do Programa de Residência Médica em Infectologia do Hospital das Clínicas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Unaí Tupinambá, os números, diante de tanta informação a que os jovens têm acesso, deveriam diminuir significativamente.

Ele considera que o uso de álcool é um fator que ajuda na disseminação da Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis.

– O uso do álcool é estimulado pela própria sociedade. Pelos pais muitas vezes. Nessas festas, eventos grandes de música, os jovens vão para ver quantas pessoas vão beijar e acabam, quando alcoolizadas, tendo relações desprotegidas.

Minas Gerais ocupa a 17° posição no ranking brasileiro de infecção pela Aids, de acordo com o Ministério da Saúde. Isso significa que são 13 casos para cada 100 mil habitantes. Em 1° lugar está o Rio Grande do Sul, com 41,2 casos para cada 100 mil habitantes, e em último está o Acre, com 8,4 casos para cada 100 mil moradores. 

Mais acesso ao preservativo

O preservativo está disponível em todos os 147 centros de saúde de Belo Horizonte. Mas os usuários precisam entrar, pedir para algum funcionário e morar na região para que a camisinha seja entregue. A Secretaria Municipal de Saúde tem planos para mudar a forma de entrega até o fim deste ano.

A medida em discussão, de acordo com o coordenador do Programa DST/Aids da Secretaria, Mateus Rodrigues Westin, é colocar dispensadores em todos os centros e, assim, permitir que qualquer pessoa se beneficie, independente de onde mora. 

Os dispensadores devem ficar nas salas de espera ou nos corredores. As pessoas que precisarem do preservativo vão ter apenas que entrar no posto e puxá-lo do dispensador, sem se identificar ou ter a quantidade restrita, diz Westin.  

– O que percebemos é que as pessoas, inclusive meninos e meninas, têm vergonha de entrar no posto e pedir a camisinha. Isso porque às vezes têm conhecidos ali e eles acham que estão se expondo de alguma forma.

(Portal R7)

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