Após dez dias sem negociações, a greve dos bancários pode chegar ao fim. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) marcou ontem uma reunião com o Comando Nacional dos Bancários, que deve acontecer hoje, às 11 horas, em São Paulo. O presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará, Carlos Eduardo Bezerra, embarcou ontem para São Paulo e estará presente nas negociações.

A proposta feita pela Fenaban será avaliada em assembleia pelos bancários de todos estados do País, que pedem reajuste de 11% no salário, Participação nos Lucros e Resultados (PRL), vale-refeição, vale-alimentação, auxílio-creche e pisos maiores, além de auxílio-educação para todos e melhores condições de saúde.

Inicialmente, a contraproposta da Fenaban era apenas a reposição da inflação, de 4,29%. Antes da negociação ser anunciada, o que se viu nas ruas de Fortaleza na tarde de ontem foi uma população impaciente.

Transtornos

Em um passeio recorrendo as principais agências do Centro da cidade, os transtornos permaneciam. Muitas caras de decepção e reclamações daqueles que não conseguiam sacar dinheiro dos caixas automáticos, não tiveram sucesso ao realizar pagamentos na boca do caixa ou simplesmente esperavam em filas intermináveis.

Esse último exemplo foi o caso do motoboy Francisco Laércio, 25, que percorria Fortaleza fazendo pagamentos e depósitos pela empresa onde trabalha. “Já passei pelo Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Caixa Econômica e cheguei a esperar duas horas em filas”, conta.

O instrutor de autoescola César Martins, 45, saía inconformado da agência Bradesco na Barão do Rio Branco. César fez um financiamento que foi refinanciado com a condição de não sofrer atraso no pagamento das prestações.

Porém, a parcela que o instrutor tinha em mãos estava prestes a vencer e só poderia ser paga na boca do caixa do banco Itaú, que não estava realizando este tipo de atendimento. “E agora? Eu não esperava essa greve. Se eu perder meu financiamento, vou entrar no Procon contra o Sindicato dos Bancários”, diz. A sua esposa Luzani Lima, 25, costureira, também passava por transtornos, pois perdeu o cartão de débito da Caixa Econômica e não tinha como sacar dinheiro dos caixas eletrônicos, que são as opções alternativas no momento.

 

NÚMEROS – 8.280 AGÊNCIAS BANCÁRIAS ESTAVAM PARALISADAS ONTEM EM TODO O BRASIL

(O Povo Online)

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