As gangorras coloridas dispostas no pátio do Colégio Marista, no bairro Mondubim, em Fortaleza, só são utilizadas nas manhãs de segunda a sexta-feira. Nelas, crianças do ensino infantil à nona série divertem-se no intervalo entre as aulas. A partir de janeiro, não mais. 

Ontem, o escritório central da rede educacional/filantrópica anunciou o fechamento da única sede particular da Capital. A notícia foi dada primeiro a professores e funcionários, numa reunião a portas fechadas. Em seguida, às 19 horas, os pais dos cerca de 300 alunos foram comunicados, numa assembleia realizada na quadra poliesportiva da Escola.

Dois representantes de Brasília informaram que o último dia de atividades será 31 de dezembro. Tudo foi oficializado em carta entregue aos pais. Segundo o documento, os trabalhos vão ser encerrados “para redimensionar a área de atuação” da rede, presente em 16 estados.

O que o material não cita é o prejuízo financeiro acarretado pela unidade há quatro anos, desde a sua criação um ano após a filial do Centro – o colégio Marista Cearense – fechar as portas. “Outras unidades sempre assumiam o déficit desta do Mondubim”, explicou a gerente educacional do grupo, Jaqueline de Jesus. “E, para manter a saúde da rede, as sedes têm de ser autossustentáveis”, acrescentou o analista educacional Paulo de Tarso.

Eles não quantificaram o rombo e descartaram a possibilidade, pelo menos a curto prazo, de uma nova escola ser aberta no Ceará. Duas – públicas – ainda funcionam em Aracati e Iguatu. Com isto, somente a Faculdade Marista continua aberta em Fortaleza.

Parte dos alunos e funcionários devem ir para a Escola Marista de Ensino Fundamental Sagrado Coração, na Maraponga, instituição pública mantida hoje por conta de um convênio entre o grupo e a Prefeitura.

O prédio será mantido em cumprimento à Lei da Filantropia, a qual o Marista é subjugado por ter razão social também de prestação de serviços desta natureza. “O restante (de alunos e funcionários), pedimos que a Diretoria colabore na busca de novos espaços”, disse Tarso.

A negociação deste processo de transição ainda está em andamento. A expectativa é de que se encerre antes do fim do período letivo, previsto para acabar em dezembro. O destino da sede do Mondubim é indefinido. A diretoria estuda o que deve ser feito com o espaço. 

E-Mais  –  Segundo os representantes do escritório central do grupo Marista,o perfil socioeconômico do Mondubim colaborou para o insucesso da unidade no bairro. 

Como a renda das famílias é pequena, o Colégio disse não ter condições de reajustar as mensalidades, em média orçadas em R$ 275. >Estudos projetavam mais prejuízo, caso a sede fosse mantida aberta por mais um ano letivo. 

A decisão pelo fechamento foi tomada no começo deste mês. A Diretoria recebeu a notícia semana passada. 

Por lei, os pais devem ser comunicados do encerramento dos trabalhos com, pelo menos, 60 dias de antecedência das portas fecharem. 

O Marista é uma congregação religiosa presente em 77 países que prega a evangelização por intermédio da educação.

(O Povo Online)

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