SÃO PAULO – A internacionalização dos bancos brasileiros está cada vez mais forte. Segundo informações do mercado, o Banco do Brasil está negociando a aquisição do banco chileno CorpBanca. Até o fechamento desta edição, a instituição financeira não havia informado a operação formalmente.

O BB vem construindo a internacionalização com diversas operações no mercado. Primeiro foi a abertura de uma agência nos EUA. Em seguida, a instituição comprou o banco argentino Patagonia. E, por fim, fez uma parceria para a criação de uma holding com a intenção de operar no mercado financeiro africano.

“Não causa surpresa a compra do banco chileno. O BB vem se especializando na internacionalização. É preciso acompanhar os bancos nacionais, que estão se tornando internacionais”, diz João Augusto, especialista de bancos da Lopes Filho Consultoria de Investimentos.

O especialista diz ainda que se o Banco do Brasil não fizer sua expansão para o exterior ele perderá espaço para bancos estrangeiros que concorrem com o BB, como por exemplo, o Santander e o HSBC. “A Vale atua na África, por isso o BB foi atuar neste mercado. O crescimento econômico vem trazendo possibilidades de novas empresas ingressarem no mercado externo e os bancos brasileiros precisam acompanhar”, afirma.

De acordo com fontes do mercado, o Banco do Brasil vem estudando também a aquisição de um banco de varejo no mercado norte-americano. A informação ainda não foi confirmada pela instituição financeira, que estuda a possibilidade da nova aquisição.

Novos recursos

O Banco do Brasil fechou na madrugada de ontem uma emissão de US$ 660 milhões em dívida subordinada no mercado internacional. No dia anterior, à noite, a emissão estava sendo fechada em US$ 600 milhões, mas o banco resolveu atender uma demanda extra de investidores asiáticos e vendeu mais US$ 60 milhões, segundo o vice-presidente de Finanças do BB, Ivan Monteiro. A demanda total pelos papéis chegou a US$ 2 bilhões.

O prazo inicial previsto para os papéis era de 10 anos, mas o bônus acabou saindo com prazo maior, de 11 anos. O vencimento é em janeiro de 2021. O yield (retorno) saiu em 5,464%. Segundo Monteiro, o banco tem conseguindo reduzir as taxas pagas aos investidores graças a melhora das condições lá fora e a maior presença da instituição no exterior. Um papel similar ao atual emitido pelo BB em 2007 saiu com yield de 7,95%.

O BB tem ido com frequência ao mercado externo para captar recursos. Nos últimos 12 meses, lançou US$ 3,55 bilhões lá fora. O executivo não descarta voltar ao exterior ainda este ano com uma nova operação. “Vai depender das condições do mercado.” Além de buscar funding no exterior, em julho, a instituição também reforçou o caixa em R$ 7 bilhões com uma oferta de ações.

A emissão dos bônus fechada nesta madrugada foi feita por meio da subsidiária do BB em Grand Cayman. Os bancos coordenadores são: BB Securities, BofA Merrill Lynch, HSBC e Banco Votorantim. Também participam como co-líderes Bradesco BBI e BTG Pactual.

O dinheiro será usado para reforçar o capital “tier 2” do BB e aumentar seu Índice de Basileia, indicador que mede quanto o banco pode emprestar sem comprometer seu capital. O BB tem Basileia de 12,8%, acima dos 11% exigidos pelo Banco Central, mas o menor índice entre os grandes bancos brasileiros. Bradesco e Itaú têm indicador de 15,8%.

Segundo Monteiro, o Banco do Brasil somente vai divulgar o impacto da nova captação no índice Basileia depois da aprovação da emissão pelo BC.

Consolidação

Na onda da consolidação do setor financeiro, porém, no mercado brasileiro, o BMG, líder brasileiro no mercado de crédito consignado, anunciou, ontem, a compra da GE Money no Brasil, que engloba o Banco GE Capital S.A. e a promotora de vendas e prestadora de serviços financeiros – GE Promoções. A venda inclui a totalidade da GE Money Brasil, além de parcerias com varejistas já existentes e as 54 lojas.

De acordo com Ricardo Guimarães, presidente do BMG, a estratégia é ampliar os pontos de atendimento da Instituição pelo Brasil, que já conta com mais de 3.000 pontos-de-venda. “Vamos aproveitar essa estrutura para investir e focar ainda mais no crédito consignado. Além disso, também vamos avaliar a possibilidade de aderir alguns dos produtos já oferecidos”, detalha. Ele explica que a estrutura de TI do BMG está preparada para aumento das operações. Os detalhes financeiros do acordo não foram divulgados.

A conclusão da operação está sujeita à aprovação do Banco Central do Brasil (BC) e das demais autoridades, fato que, uma vez ocorrido, será comunicado ao mercado. A assessoria de imprensa do banco não quis comentar o assunto, alegando que vai esperar a aprovação do BC.

O sistema financeiro deu uma amostra ontem de como o mercado deve se agitar nos próximos meses com movimentos de internacionalização e consolidação no setor bancário. O Banco do Brasil teria fechado a aquisição de 10% do capital do banco chileno CorpBanca. Até o fechamento desta edição, a instituição financeira não havia confirmado a operação.

Para João Augusto, especialista de bancos da Lopes Filho Consultoria de Investimentos, se o Banco do Brasil não fizer sua expansão para o exterior ele perderá espaço para bancos estrangeiros que concorrem com o BB, como, por exemplo, o Santander e o HSBC. “A Vale atua na África, por isso o BB foi atuar nesse mercado. O crescimento econômico vem trazendo possibilidades de novas empresas ingressarem no mercado externo, e os bancos brasileiros precisam acompanhar”, afirma.

O Banco do Brasil fechou na madrugada de ontem uma emissão de US$ 660 milhões em dívida subordinada no mercado internacional. A demanda total pelos papéis chegou a US$ 2 bilhões. O prazo inicial previsto para os papéis era de 10 anos, mas o bônus acabou saindo com prazo maior, de 11 anos.

Na onda da consolidação, o BMG, líder brasileiro no mercado de crédito consignado, anunciou, ontem, a compra da GE Money no Brasil. De acordo com Ricardo Guimarães, presidente do BMG, a estratégia é ampliar pelo Brasil os pontos de atendimento da instituição, que já conta com mais de 3.000 pontos-de-venda.

(DCI)

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