Pela segunda vez, nessa campanha, os números das pesquisas para presidente apresentam diferenças inexplicáveis por razões puramente técnicas.

O primeiro momento foi em junho/julho, quando Dilma ultrapassou Serra no Sensus, no Vox Populi e até no Ibope. O DataFolha segurou um empate técnico entre os dois, de forma muito estranha. Depois, rendeu-se. Sem explicação, “corrigiu” a pesquisa – que passou a mostrar Dilma bem à frente.

Nessa reta final, o DataFolha traz pesquisa que aponta Marina em alta (14%), Dilma em baixa (46%), e Serra praticamente estacionado (28%). Pelos números da “Folha”, crescem as chances de segundo turno.

O Vox Populi, em seu tracking diário, detectou – já há alguns dias –  leve alta de Marina (chegou a 13%; mas hoje recuou para 12%), e queda de Dilma (que já andou na casa dos 55% e hoje teria 49%). Serra ficou nos 25% hoje, segundo os números do Vox que acabam de ser divulgados nessa terça-feira. Segundo o Vox Populi, as chances de segundo turno são bem menores.

Reparem: os dois institutos concordam na tendência: leve alta de Marina, queda tênue de Dilma (no caso do DataFolha, nem tão tênue assim). Mas os números são discrepantes o suficiente para determinar se vai haver ou não segundo turno.

Muita gente acredita que o “DataFolha” ajuda Serra. Eu também acho possível. Mas insisto: mesmo no Vox, a margem se estreitou.

O curioso é que essa leve queda de Dilma (depois de imenso bombardeio midiático e de intenso terrorismo religioso conservador) é contraditória com o quadro nos Estados, francamente favorável ao lulismo.

Qual a lógica?

Aparentemente, o bombardeio teve força para frear Dilma, mas não para conter o lulismo.

Reparem que na disputa para o Senado – além das quedas já registradas de Cesar Maia (DEM-RJ), Marco Maciel (DEM-PE), Artur Vrgilio (PSDB-AM), Heráclito Fortes (DEM-PI) – também correm risco, segundo as pesquisas divulgadas agora na reta final:  Mão Santa (PSC-PI) e Tasso Jereisatti (PSDB-CE) .

Até tu, Tasso? Sim, Eunicio (PMDB) e Pimentel (PT) se aproximam do “galeguim dos óio azul” na disputa travada no Ceará.

“O núcleo duro da oposição pode ser arrasado.

Em São Paulo, a esquerda pode ficar com as 3 cadeiras (Suplicy, que já está lá, mais Marta e Netinho). No Paraná, deve eleger dois senadores agora (Requião e Geisi).

Na disputa para o governo do Paraná e de São Paulo, crescem as chances de candidatos lulistas (Mercadante e Osmar Dias).

Portanto, há muitos indicativos de que a onda lulista se mantém – apesar de todo bombardeio.

O que indica que, mesmo que enfrente segundo turno, Dilma terá um favoritismo avassalador.

Só não pode ficar tocando a bola na entrada da área, esperando  tempo passar. Precisa partir pra cima, e definir logo o jogo. Se não o time de pernas de pau dá um chutão e, numa bola espirrada, acaba fazendo gol.

(Rodrigo Vianna – O Escrevinhador)

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