A nova rodada de pesquisas O POVO-Datafolha mostra que a eleição para a escolha dos dois senadores que vão representar o Ceará se mantém completamente aberta. Tasso 44%, Eunício 41% e Pimentel 36%. Pelos números coletados pelo instituto, qualquer prognóstico sobre o resultado final passa a ser um exercício de adivinhação. Há dois pontos novos na pesquisa. Primeiro, o índice dos eleitores que afirmam não saber em quem votar para uma das vagas e também para as duas vagas disponíveis. Os números da indecisão continuam altos, fator que empurra a decisão para até a hora do voto. Nada mais, nada menos que 35% afirmam que não sabem em quem votar “para uma das vagas” e 22% dizem que não sabem em que votar “para as duas vagas”. Como a diferença entre os candidatos é muito pequena, pode-se afirmar que o jogo vai ser decidido, digamos, na boca da urna. Outra novidade da pesquisa: dessa vez, em quadro separado, o Datafolha levou em conta a forma de cálculo da Justiça Eleitoral. Ou seja, descartam-se os votos brancos, nulos e indecisos e leva-se em conta apenas os votos válidos com um universo de 100%. O resultado: Tasso 33%, Eunício 31% e Pimentel 27%. Atentem que a pesquisa foi finalizada no dia 24 passado. Portanto, já se foram quatro dias. De lá para cá, certamente já ocorreram novas variações. O processo deverá se manter dinâmico até a hora em que o eleitor irá digitar seu voto na urna eletrônica. 

ENTRE OS VOLÚVEIS E INDECISOS

A situação não é confortável para nenhum dos candidatos. O resultado final pode acolher qualquer cruzamento de candidaturas. Pode dar Tasso e Eunício. Pode ser Pimentel e Tasso. Pode dar Eunício e Pimentel. O problema maior do tucano é a tendência até aqui ininterrupta de queda. O senador começou com 59% das intenções de voto no Datafolha finalizado em 15 de julho passado. Dois meses e dez dias depois, o tucano passou para 44%. São 15 pontos percentuais a menos. No mesmo período, Eunício Oliveira (PMDB) saiu de 24% para 41%, subindo 17 pontos. Pimentel passou de 24% para 36%, crescendo 12 pontos. Ou seja, uma queda gradual do tucano e, numa proporção aproximada, uma subida gradual de seus dois concorrentes diretos. Pelo quadro, pode-se afirmar que a sorte dos candidatos está nas mãos dos indecisos e dos eleitores que mantêm seu voto volúvel. E eles são muitos. Segundo o Datafolha, 17% dos eleitores (aqui, contados em dobro porque cada um tem direito a dois votos) ainda declaram que podem mudar de escolha. Portanto, a semana será decisiva. Cada ato dos candidatos será atentamente observado pelos eleitores. As redes de apoios dos candidatos ganharam um peso muito importante no final da campanha.

 DE OLHO NOS GRÁFICOS

O que talvez ajude Tasso Jereissati na disputa de senador é a curva descendente da candidatura de Cid Gomes verificada na pesquisa O POVO-Datafolha. Como se sabe, o voto de senador costuma se concretizar muito colado ao voto de governador. Não foi à toa que a campanha do PSDB começou a usar ostensivamente a denúncia da revista Veja. Então, atingindo Cid os tucanos buscam atingir também as candidaturas dos senadores da aliança do governador. Mesmo com um indicativo ainda folgado a favor de Cid Gomes (52%), a última semana de campanha passou a ser decisiva. Atentem: foram duas semanas de intervalo entre as duas pesquisas. 14 dias. Na consulta anterior, realizada entre os dias 09 e 10 passados, a oposição totalizava 25% das intenções de votos. Naquele momento, 14% dos eleitores afirmavam ainda não saber em quem votar. Na nova pesquisa, a oposição somada passou a deter 32% das intenções de voto. Agora, 12% se dizem indecisos. A diferença entre Cid e seus opositores era de 33 pontos percentuais. Agora, a diferença diminuiu para 20 pontos. Trocando em miúdos, Cid Gomes começou a cair e a oposição a subir. Mantida tal tendência até o dia da eleição, em tese, o fato pode ajudar a estabilizar a curva negativa de Tasso.

 (Fábio Campos – O Povo Online)

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