por Luiz Carlos Azenha

Baseado em conversas de bastidores:

1. Primeiro turno na campanha presidencial? Depende do crescimento de Marina Silva, detectado inclusive pelo Vox Populi, mas não somente. Muitas vezes esses fenônemos eleitorais de última hora nem são captados pelas pesquisas. Se ela crescer sobre os indecisos, tudo bem. Mas se crescer sobre o eleitorado de Dilma Rousseff, teremos segundo turno. Não se pode esquecer, ainda, que PT e PCdoB — especialmente os dois — dispõem de uma militância aguerrida. E a máquina do PMDB, que peso terá na hora decisiva? Pelo jeito só saberemos mesmo na noite de domingo, especialmente quando é impossível medir o peso da exigência dos dois documentos no Norte e no Nordeste. Mas a tarefa da oposição (de tirar uns cinco milhões de votos da Dilma, calculam os petistas) é gigante.

2. O crescimento de Aloysio Nunes pode tirar Netinho do Senado? As acusações publicadas na Folha são sinal de que o PSDB faz essa aposta.

3. Da mesma forma, as acusações publicadas em Veja e O Globo contra os irmãos Ciro e Cid Gomes podem estremecer a relação da família Gomes com Tasso Jereissati? O senador ainda lidera com folga, mas perdeu a vantagem esmagadora sobre Eunício Oliveira (PMDB) e José Pimentel (PT). Na pesquisa mais recente, do Vox, eles aparecem respectivamente com 48%, 34% e 31%.

4. Osmar Dias está em crescimento no Paraná e pode ameaçar Beto Richa.

5. A reeleição de Paulo Paim ao Senado, no Rio Grande do Sul, ainda corre riscos, apesar de o PSOL ter retirado um dos candidatos para dar apoio ao petista.

6. A mãe de todas as batalhas pode acontecer entre Arthur Virgílio (PSDB) e Vanessa Grazziotin (PCdoB) no Amazonas. Ela está na liderança das pesquisas, mas Virgílio é um político experiente e tem a máquina que pode fazer a diferença nos dias finais.

7. Os itens 5 e 6, especialmente, fazem toda a diferença para o projeto do PT de ter algum tipo de conforto no Senado.

8. Para a Câmara o PT tem certeza de que terá no mínimo 90 deputados (hoje são 79), mas os mais otimistas falam em mais de cem.

9. A grande dúvida do PSOL é se conseguirá reeleger Ivan Valente, em São Paulo. Mas a polarização entre Dilma-Serra deve diminuir o partido.

10. Nacionalmente, o PV sai maior desta campanha e parece ter conquistado uma sólida base de jovens urbanos, essencial para futuro crescimento.

11. Segundo turno em São Paulo? Os dois comícios finais de Lula no estado (um esta noite, no sambódromo) deixam claro que existe esta possibilidade. Acho que o debate na Globo será decisivo. Se a eleição for para o segundo turno com a presidencial decidida no primeiro, o desembarque de Lula e Dilma em São Paulo complicará a vida de Geraldo Alckmin. Se a eleição em São Paulo for definida domingo, com a presidencial em segundo turno, a dobradinha Alckmin-Aécio pode dar esperança a Serra.

(Conversa Afiada)