A campanha de Dilma Rousseff ingressou com ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a coligação O Brasil Pode Mais, do candidato tucano José Serra, na qualquestiona a veiculação de uma série de vídeos na internet, feitos a pedido da direção nacional do PSDB. As peças acusam o PT de “não gostar da imprensa” e “atacar seus adversários e a família dos seus adversários”. Os advogados acrescentam, na liminar, o pedido para retirar o vídeo do ar e para que seja impedida a exibição no horário eleitoral gratuito. A coligação solicitou à Polícia Federal e ao Ministério Público que investiguem o caso para apurar a autoria e a divulgação dos vídeos. Na noite passada, Dilma falou sobre ataques à sua candidatura.

– Não podemos fazer política com ódio. O ódio é que nem droga, vicia. É fácil entrar e é difícil de sair.” Ao comentar sobre o conteúdo dos vídeos, a candidata afirmou: “Não iremos, em nenhuma circunstância, baixar o nível nessa campanha. Falo isso com absoluta convicção de que quem baixa o nível, quem utiliza desses expedientes, nem o Brasil nem a história perdoam – afirmou.

Na ação, os advogados consideram o investimento na produção dos filmes como evidência de que os vídeos teriam sido produzidos “a mando do candidato José Serra”. Outra prova seria a presença da logomarca da coligação de Serra nos filmes. O conjunto de seis vídeos, que chegaram à internet na quarta-feira, foi encomendado pela direção do PSDB ao marqueteiro Adriano Gehres, segundo reportagem veiculada no diário conservador paulistano O Estado de São Paulo. Segundo a matéria, os vídeos não têm relação com o marqueteiro da campanha, Luiz Gonzalez, que foi contra a publicação no horário eleitoral gratuito, mas o roteiro e a versão final foram submetidos ao presidente do PSDB, Sergio Guerra, e ao próprio Serra, que teria dado o sinal verde para a veiculação no Youtube.

“A publicidade foi veiculada com formato de inserção, produzida com trucagem para propalar informações sabidamente inverídicas e degradantes contra filiados a um partido formalmente registrado, bem como com injúria e difamação contra a candidata Dilma Rousseff”, diz a ação.

Segundo o PT, os vídeos agridem a “honra” do partido e da candidata. Além da retirada dos vídeos do ar, a campanha petista pede que a coligação de Serra seja condenada ao pagamento de multa no valor pago pela produção.

– Há indícios veementes que são nossos adversários, mas queremos que seja apurado pela polícia – explicou o deputado José Eduardo Martins Cardoso (PT-SP), coordenador jurídico da campanha.

O Google – responsável pelo site YouTube, onde os vídeos foram publicados – também foi notificado para a retirada da propaganda.

O coordenador de comunicação da campanha de Dilma, Rui Falcão, afirmou nesta tarde que o PT não acusará o PSDB diretamente.

– Não sei de quem é, mas o que importa é que isso tem de ser retirado do ar – afirmou.

Segundo Falcão, a retórica dos vídeos é a mesma utilizada pelo PSDB na campanha de 2002 quando o presidente Lula era candidato.

– É a mesma retórica do medo, que fala dos radicais do PT. O PT participa do governo Lula e é natural que participe também do governo Dilma – afirmou.

(Correio do Brasil)